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domingo, dezembro 28, 2008

Notícia da Lusa

Cancro: 1800 homens pedem ajuda para lidar com doença das mulheres
25 de Dezembro de 2008, 09:20*** Sílvia Maia, da agência Lusa ***

Lisboa, 25 Dez (Lusa) - Todos os dias, 12 mulheres portuguesas descobrem ter cancro da mama. Por cada uma, há um filho, marido ou amigo que sofre. A campanha "Eles também choram" surgiu há um ano e já recebeu 1800 pedidos de ajuda.
"Há uma fase em que, entre a sensação de injustiça e de raiva, é impossível um homem não chorar... Obviamente, eu não fui excepção", conta à Lusa Eduardo Gomes, casado com uma mulher a quem foi diagnosticado um cancro da mama.
Na ânsia de as proteger, os homens guardam para si dúvidas, medos e angústias. Vivem em silêncio a iminência da morte.
Hoje, dez anos após ter sido confrontado com a doença da mulher, Eduardo lembra como, sozinho, tentou encontrar as "palavras certas, sempre sem certezas".
A pensar neles, o Movimento Vencer e Viver, da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), lançou no ano passado a campanha "Eles também choram". Em apenas 12 meses, foram recebidos 1.800 e-mail pedindo ajuda, a maioria de companheiros (80 por cento), mas também de filhos, familiares e amigos.
Nas cartas por correio electrónico, querem saber como podem ajudar as mulheres, mas há também quem queira apenas desabafar. "A questão de fundo é sempre a mesma: e se ela me falta?", explica Ana Lúcia, psicóloga da LPLCC que acompanha alguns casos.
"Quando vamos ao hospital, olhamos para a pessoa que nos é querida e pensamos que, se calhar, da próxima vez que voltarmos ela já lá não vai estar. Sentimo-nos impotentes", lembra Raul Almeida, 58 anos, amigo de uma mulher que não resistiu à doença.
Também na Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCM) já há psicólogos, como Carla Vicente, a acompanhar estes homens.
"Um dos momentos mais difíceis para os que são próximos é quando é conhecido o diagnóstico. Na fase de tratamento, há uma angústia, um sentimento de incapacidade de ajudar quem está a sofrer. Já no pós-operatório, há sempre o medo de uma reincidência", explica Carla Vicente, garantindo que "é um sofrimento que não termina".
Apesar de a taxa de sucesso dos tratamentos se situar na casa dos 80 por cento, o cancro da mama continua a ser a principal causa de morte das mulheres entre os 35 e os 55 anos: todos os dias, morrem pelo menos quatro em Portugal. Por isso, o diagnóstico soa sempre a "uma sentença de morte". As palavras são de Manuela Matias, 47 anos, que há três descobriu ter um cancro da mama.
"O peso da palavra cancro é tão grande que imaginamos o inferno", resume.
"Nós queremos dar uma perspectiva positiva, mas não acreditamos naquilo em que estamos a dizer, porque só pensamos que mais cedo ou mais tarde aquela pessoa não vai estar entre nós", recorda Raul Almeida, que criou um blogue para dar apoio psicológico a pessoas com doenças graves.
Eduardo recorda que foi uma "simples conversa" com uma senhora, também com cancro, que o fez ter esperança. Chama-lhe a "fase mística ou religiosa", aquela em que se "deixa de ver a morte e passa-se a ver a vida". As técnicas que trabalham nas associações sabem que a partilha de experiências ajuda a superar as dificuldades.
Mas, segundo a responsável do Movimento Vencer e Viver, "os homens ainda não gostam de expor os seus sentimentos em público". E, por isso, o início dos grupos de inter-ajuda tem sido adiado por falta de participantes. O apoio psicológico continua a fazer-se por e-mail ou através de entrevistas pessoais.
Quem consegue superar a doença diz que esta acaba por se tornar numa "dádiva": muda a forma de encarar a vida e as relações do casal saem reforçadas.
Para Manuela Matias, realizar os sonhos sempre adiados tornou-se prioritário. Sempre quis ajudar os outros e hoje é responsável por uma associação de apoio a doentes oncológicos. Tudo porque sabe que "a conspiração do silêncio é o pior que pode acontecer".

O Raul Almeida é do Sidadania.

8 Comments:

Clap clap clap clap!!!! Great article!!! Kisses Sweetie

28/12/08 16:38  

Parabéns Nela, por esta publicação e parabéns pela associação. Claro que os homens choram e sofrem, muitas vezes sofrem muito mais do que nós, pelo medo que têm de expressar os seus sentimentos e com medo de serem mal interpretados.
Já pensei várias vezes que a doença fez-me ver a vida de outra maneira, hoje sou uma mulher diferente no pensar e no agir, dou muito mais valor à vida e preocupo-me muito mais com os outros.
Obrigadoa por estares sempre atenta e pronta a ajudar.
Beijinhos
Isabel

28/12/08 20:27  

Parabéns pelo teu testemunho, Nelinha, como sempre cheio de força e positivismo! A Lusa chegou até ti pela reportagem da RTP? Quanto mais se falar nesta doença, melhor. Para que cada vez se chore menos e se acredite mais que ainda é possível vencê-la. Um beijo muito grande**

28/12/08 21:48  

Parabéns, Nela! A força tem de se ir apanhando onde nos for oferecida como aqui, com generosidade e com um suporte de conhecimento muito importante por causa das nossas dúvidas. Um beijinho grande.

28/12/08 23:07  

Parabéns Nela!
É verdade os Homens também choram e sofrem com a doença e nem todos conseguem ajudar a pessoa que têm ao lado, o Kim uma das vezes que se foi abaixo e que não consegui-o impedir foi qdo fui ao IPO buscar a peruca na altura tinham umas muito feínhas, e eu olhei para ela e nem notei o meu rosto mas ele viu bem e quando a puseram na minha cabeça ele saiu dali a chorar foi logo uma voluntária ter com ele e sei que chorou muitas mais vezes sem que eu tenha visto porque, ver-mos quem amamos a sofrer e nada podermos fazer....bem estou aqui para dizer que este tipo de apoios fazem muita falta! E mais uma vez obrigado por seres a nossa porta-voz!!!
Beijokas a todas

29/12/08 16:32  

Olá. Sou uma estudante de enfermagem e estou a desenvolver um trabalho intitulado " relação de interajuda e interpessoal em doentes oncológicos". Gostaria de trocar impressões com familiares ou mesmo doentes oncológicos. Questões simples com vista a desenvolver uma maior humanização de cuidados de enfermagem. Contactem-me através do email "enfermagem.em.oncologia@gmail.com"
Eu também já estive internada com um tumor na 3ª costela, felizmente benigno e também já participei em vários questionários. é para bem de todos, acreditem. Obrigado pela compreensão. beijinho, Fabiana

29/12/08 16:41  

Já enviei mail, Fabiana. Obrigada.

29/12/08 16:46  

Qualquer dia já nem sei bem qual é o teu emprego!!!!!hihihihi
Boa Nela. Gostei do que li.
Beijocas.

30/12/08 01:30  

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