É só mais um bocadinho!

terça-feira, abril 29, 2008

Corrida Sempre Mulher

Vai realizar-se, mais uma vez, a corrida Sempre Mulher. As receitas revertem a favor da APAMCM. Toca a correr...!


http://www.corridasempremulher.com/main.htm

Linfedema

Linfedema: uma grave sequela da cirurgia ao cancro da mama

30 por cento das sobreviventes correm o risco de desenvolver esta patologia

Estima-se que 30 por cento de mulheres em todo o mundo são afectadas pelo linfedema pós-mastectomia, ou seja, o inchaço gradual dos membros superiores, resultante do tratamento ao cancro da mama. Por ser crónica e evolutiva, esta complicação condiciona a qualidade de vida e a recuperação de um grande número de mulheres. Segundo a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (APAMCancroMama), grande parte da população portuguesa desconhece esta patologia e a importância da sua prevenção para uma reabilitação oncológica efectiva. Esta patologia provoca a perda de mobilidade e a deformação dos membros superiores, no lado da mama afectada, devido ao esvaziamento dos gânglios linfáticos axilares efectuado após a cirurgia. Pode ocorrer logo depois da intervenção ou anos mais tarde, quando não prevenida ou devidamente tratada.
De acordo com Verónica Albuquerque Rufino, presidente da direcção da APAMCancroMama, «de todas as complicações que ocorrem após a cirurgia ao cancro da mama, o linfedema, pela incidência e incapacidade que provoca, merece uma referência especial». Além da perda gradual da capacidade funcional do braço afectado, já que este tende a piorar e aumentar de volume com o passar do tempo, o linfedema deixa sequelas psicológicas graves na mulher que vê a sua imagem corporal deformada e um atraso evidente na sua reabilitação, refere a APAMCancroMama.
Uma atitude vigilante e preventiva, tanto por parte da doente como do médico que a acompanha, a par da fisioterapia, tornam-se armas principais para proporcionar à mulher uma melhor qualidade de vida.

O que é o linfedema?

Apesar de estar intimamente ligado ao acto cirúrgico, o linfedema pode ser causado por outros tratamentos como a radioterapia, a quimioterapia ou a hormonoterapia. A cirurgia ao cancro da mama implica a remoção parcial ou total do peito e, na maioria dos casos, a extracção parcial ou total dos gânglios linfáticos axilares. O risco de desenvolver um linfedema após a cirurgia ao cancro da mama depende do número de gânglios removidos, da quantidade de radiação recebida e da capacidade das funcionalidades restantes compensarem a perda.
A remoção dos gânglios axilares tem como consequência a destruição dos vasos linfáticos superficiais e profundos do braço e do quadrante desse mesmo lado. Isto resulta numa predisposição para a formação de um linfedema nesse lado que, não sendo tratado rapidamente, piora com o tempo e dá lugar a um endurecimento dos tecidos com a formação de fibrose e esclerose. Um linfedema do braço que se mantenha sem tratamento pode degenerar em cancro (angiosarcoma).

Sobre a APAMCancroMama

A Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama é uma organização sem fins lucrativos, criada em Abril de 1998, por um grupo interdisciplinar de voluntários ligados à problemática da patologia mamária. A associação actua a nível nacional e é pioneira na Europa na prestação gratuita de cuidados de saúde ao doente com cancro da mama nas seguintes valências: Intervenção Terapêutica; Intervenção Social e Jurídica; Intervenção Complementar e Lúdica e Formação especializada aos profissionais de saúde.
A APAMCancroMama possui, desde 2006, um Centro Especializado em Fisioterapia Oncológica (C.E.F.O.) para fazer face à necessidade crescente deste tipo de serviços. Este projecto valeu-lhe, em Abril de 2007, o “Prémio Boas Práticas em Saúde”, na categoria de Serviço Privado – Acessibilidade e Atendimento, atribuído nos Prémios “Hospital do Futuro”.

De acordo com as linhas orientadoras do Plano Nacional de Saúde, o C.E.F.O. procura melhorar a articulação com os centros de saúde e hospitais e garantir uma maior acessibilidade às consultas de fisiatria, refere a associação. Desta forma, consegue fazer uma rápida triagem de situações de carácter urgente e oferecer tratamentos específicos de linfologia às doentes, dado que só nos hospitais especializados existe este tipo de tratamento para o linfedema e em algumas clínicas privadas com custos elevados para o doente, conclui.

Fonte: APAMCancroMama (http://www.apamcm.org/)

segunda-feira, abril 28, 2008

Eu e...

... a minha amiga Ana Mafalda. Nascemos ali mesmo ao lado uma da outra. Já lá vão uns... bom, já lá vão uns anitos. Poucos. Brincámos muito juntas. Todos os dias. Aos seis anos, foi-se embora para o Norte. Continuámos a conviver quando era possível. Escrevemos muitas, muitas cartas e até criámos um código para preservar o segredo dos nossos segredos.

Ao fim de muito tempo, fui ao casamento dela. Não conhecia o noivo. Qundo me foi apresentado, desatámos a rir. Ambas tínhamos um marido António Paulo. Não sendo um nome dos mais vulgares, não pudemos deixar de rir com a coincidência.

Enfim, histórias... Nesta foto, tínhamos 5 anos


domingo, abril 27, 2008

Parabéns, menina Tila...!


sexta-feira, abril 25, 2008

Resultados...!

A Gosma andou aí a dizer coisas (mentiras!): que eu nem tinha emagrecido uns míseros gramas e essas patranhas dela.

Pois é mesmo hoje, dia da Revolução, que eu lhe vou estampar na cara (cara de gosma...) um número que a vai traumatizar para sempre: 2.000.000 miligramas (leia-se dois MILHÕES de miligramas) ou 2.000 gramas (leia-se dois MIL gramas) ou

Toma!

A Pintarolas

Ainda não vos tinha apresentado o nosso mais recente membro da família: a Pintarolas! É um pouco lenta, muito cusca e gosta de tomar banho... E adora comer larvas de mosca! Acho que também anda a fazer dieta...


quinta-feira, abril 24, 2008

We are on diet... (2)

video

«Sou muito mais do que uma mama»

«Foi um choque muito grande, mas hoje tenho uma vida normal, se não fossem os outros a olhar, nem me lembrava». Marina Pelágio é médica de família num centro de saúde e há seis anos teve cancro da mama. É de um pragmatismo raro e de um optimismo inexcedível. Pôs uma «prótese maravilha», continua a trabalhar, «mas tudo mais soft», e alterou a lista de prioridades na sua vida: primeiro ela e a família. «Não vale a pena ódios, invejas, lutas, nada disso. Agora quero viver, gozar a minha vida».
Marina tinha 47 anos quando, ao fazer a sua mamografia e ecografia anual de rotina (sabia que tinha uma mama muito fibrosa, que carecia de acompanhamento), o médico detectou algo diferente. Fez logo uma biópsia, que detectou algumas células neoplásicas, mas o resultado não era muito conclusivo. «Decidi ir falar com um cirurgião do IPO, que decidiu abrir para ver. Antes disso, avisou-me: «Das duas uma, ou vai para casa ou tira-se a mama».
Quando acordou da anestesia, Marina ainda tinha a mama e pensou que estava tudo bem. Mas o médico quis levar a amostra para o IPO para cortar em fatias fininhas e analisar melhor. «Detectaram-me um carcinoma», conta Marina. «E disse-me que achava que tinha tirado tudo, agora eu tinha de decidir se queria fazer radioterapia ou uma mastectomia total». Marina nem hesitou: «Tire tudo».
«Não queria ser tratada como uma coitadinha
No dia seguinte, 24 horas depois, esta médica foi novamente operada, numa clínica privada, e fez mastectomia da mama direita e tirou gânglios do braço. «Depois disso não queria ver ninguém, não queria ser tratada como uma coitadinha. Só queria ver o meu marido, o meu filho, os meus pais, que foram fantásticos e fundamentais».
Há momentos que não se esquecem e as palavras não conseguem contar tudo. Marina só consegue dizer que «o choque foi muito grande. O mundo caiu para mim, acabou¿ Eu e o meu marido olhámos um para o outro e não queríamos acreditar». A partir daqui, Marina direcciona o discurso para o salto que teve de dar: «o meu filho tinha 17 anos, precisava ainda muito de mim, eu queria ser avó, tinha muito para viver».
A família ajudou-a como soube e como conseguiu lidar com a doença: «O meu filho afastou-se um bocadinho e tentou compensar a mãe de alguma forma. Estudou, estudou, estudou e nesse ano teve notas de 18 e 19 valores. O meu marido ajudou-me imenso, dava-me banho, arranjava-me o cabelo, ia comigo todos os dias ao IPO¿ Foi fantástico».
Este apoio, explica Marina, é fundamental, «é isso que nos faz andar para a frente. Uma vez encontrei uma senhora no IPO que me perguntou se eu gostava do meu marido, eu disse-lhe que sim, claro. Ela respondeu-me. «Olhe, eu não gosto, eu odeio o meu marido, ele não me compreende e não compreende a doença». Se calhar precisam os dois de fazer terapia, respondi-lhe. Ela disse-me que não tinha dinheiro».
Como o tumor de Marina era muito pequeno, tinha cerca de um centímetro, e tiraram tudo, não foi preciso fazer quimioterapia nem radioterapia. Dois meses depois, esta médica voltava ao trabalho no centro de saúde, usava uma manga e uma luva elásticas e fazia fisioterapia no IPO. «Deram-me um grau de incapacidade definitiva de 80 por cento e tentei meter os papéis para a reforma mas claro que não me deixaram. Tão bonita... tão jovem...». Marina sorri e diz que lhe faz bem trabalhar.
Entretanto, desistiu da fisioterapia no IPO, «era muito deprimente», explica, e dedicou-se ao trabalho. Mas foi demais e começou a perder a acção no braço. Três anos depois teve de voltar a fazer fisioterapia e desta vez recorreu à Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama. Quando falou com o PortugalDiário tinha acabado de meter uma baixa de 15 dias para fazer fisioterapia. Já não conseguia mexer o braço.
De resto, a vida pós-mastectomia é «normal, incomoda mais aos outros verem que tenho uma mão e um braço inchados. Mas quando não tinha a prótese era mais complicado, mas mais por causa do outros, que olhavam e percebiam. Mas depois de pôr a prótese maravilha...». Sorri. E continua: «Esta zona está adormecida, é pedra, não sinto nada».
«A reconstrução mamária não é importante»
E uma reconstrução mamária? «Para mim não é importante, para o meu marido também não. Não tenho esse problema de auto-imagem. Sou muito mais do que uma mama». De um pragmatismo raro, como dissemos.
A vida é quase normal, como diz Marina, mas ainda assim, reconhece, «tudo mudou na minha vida. O importante agora é ter tempo para mim, sou um bocadinho egoísta». Esta médica fala assim, mas o certo é que tem tentado ajudar outras mulheres na mesma situação, principalmente doentes suas que têm sempre muitas perguntas e muitas dúvidas para esclarecer. «Querem saber como se faz a depilação nas axilas a seguir à operação, como é a parte sexual, o que vai acontecer a seguir, se determinadas coisas são normais. Tantas coisas... E os médicos que nos seguem não têm tempo para responder».

in PortugalDiário online

quarta-feira, abril 23, 2008

Porto: Hospital São João inaugurou hoje nova unidade de diagnóstico de cancro da mama

O Hospital de São João, no Porto, conta a partir de hoje com a mais completa unidade de diagnóstico de patologia mamária do país. O novo espaço, financiado pela Laço, conta com uma equipa multidisciplinar de médicos e visa diagnosticar em menos tempo e com mais qualidade o cancro da mama. As primeiras consultas começam na próxima semana e cerca de 30 mulheres já procuraram o serviço.“Pretendemos que a doente seja o centro, o alvo de todos os nossos cuidados e que se sinta rodeada de especialistas”, afirmou o médico responsável da unidade de diagnóstico, Francisco Pimentel, durante a cerimónia de inauguração. Um dos objectivos principais deste espaço é reduzir o tempo de espera das utentes e, com isso, diminuir a ansiedade associada à doença. Com a fusão de serviços e especialistas no mesmo local será possível que uma utente faça todos os exames necessários para diagnosticar o cancro da mama num só dia e não precise de passar por vários sectores do hospital. Cirurgiões, oncologistas, radiologistas, radioterapeutas, ginecologistas, patologistas e psiquiatras serão os especialistas que vão trabalhar na unidade. Maria João Cardoso, coordenadora da unidade, quer um diagnóstico rápido. Se a utente em questão não tiver cancro da mama, no primeiro dia já saberá. Se for diagnosticado algo mais, o resultado final estará pronto em dois dias. “Antes algumas mulheres estavam um mês a espera do diagnóstico”, contou a médica.Unidade tem equipamentos topo de gamaA unidade, que vai funcionar em pré-fabricados, é constituída por duas salas de espera, uma sala de mamografia, equipada com um mamógrafo digital com esterotaxia, que usa uma tecnologia topo de gama e é o único existente no Norte, uma sala de ecografia, com um ecógrafo antares, outra de leitura de exames, uma sala de anatomia patológica, uma de psico-oncologia e dois gabinetes médicos. O investimento de 375 mil euros, em construção e equipamentos, foi financiado pela associação de solidariedade social Laço. Parte do dinheiro foi obtida pelas vendas de vestuário da campanha “O Cancro de Mama no Alvo da Moda”, em que 16 mil pessoas compraram alguma peça de roupa. Numa primeira fase, a unidade vai funcionar de manhã e pretende atender dez a doze utentes por dia. As consultas serão agendadas pelo médico de família mas também podem ser marcadas por telefone. Os casos mais graves vão ter prioridade de atendimento.Há também planos para disponibilizar uma consulta de risco de cancro da mama e do ovário, dirigida para o estudo de doentes com historial de cancro familiar, com vista a antecipar os futuros casos de hereditariedade da doença. Problema de saúde públicaEstima-se que o cancro da mama mate quatro mulheres portuguesas por dia e que 13 novos casos da doença são diagnosticados diariamente no país. No mundo são diagnosticados um milhão de casos todos os anos. Os números fazem com que a doença seja considerada um problema de saúde pública. O número de mulheres que sobrevivem à doença está a aumentar e o diagnóstico precoce pode fazer com que o tratamento seja mais eficaz.Consumo de bebidas alcoólicas, tabagismo, hábitos sedentários e histórico familiar de cancro são alguns factores que podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

in Jornal O Público

«Cancro não é morte. Eu estou viva!»

O PortugalDiário tem vindo a publicar, esta semana, histórias de sucesso. Hoje é o caso da Marta. A Marta teve um linfoma de Hodgkin e está curada. Dedico este post à Gigi, também ela um caso de sucesso! Sem dúvida!

A Marta tem uns olhos lindos. Negros. Tem a garra de uma atleta. A força de vontade de quem está habituada a correr o mais possível e o mais que pode para cortar a meta em primeiro lugar. Sempre foi assim. Mas há quatro anos o mundo da Marta quase acabou. Um tumor nos gânglios linfáticos, conhecido como Doença de Hodgkin, abalou com tudo em que acreditava. Hoje, com 16 anos e muitas medalhas conquistadas para mostrar, é peremptória: «Quero dar o meu testemunho porque muita gente associa isto à morte e eu não estou morta. Estou viva! E sinto-me mesmo vitoriosa. Eu corri pela vida».
A mãe de Marta, Fátima Pacheco explica ao PortugalDiário que em Julho de 2004 o pescoço da filha começou a inchar. Pensaram que era a papeira e ainda gozaram com ela, mas a persistência do inchaço, ao final de três semanas, levou-as ao médico, que falou logo em ecografia e «numa picadela no pescoço». «Percebi logo que era uma biópsia e fiquei em pânico», conta Fátima.
Fez ecografia logo no dia seguinte e quando Fátima olhou para o ecrã do computador viu «tipo dois ovos de pato». O pânico voltou. A médica insistiu numa biópsia. Fátima ligou para uma amiga, enfermeira no Hospital de S. João, no Porto, e seguiram para o hospital. A médica que viu a Marta «disse que não era nada, devia ser uma virose e receitou-lhe um antibiótico¿ Ainda fez pior. Ficou mais inchado. Mas a médica insistiu, disse para irmos de férias e para a Marta tomar outro antibiótico. Não me aguentei, pedi a biópsia, mas ela não fez».
«Oncologia pediátrica???... só podia ser engano»
Fátima conseguiu que a Marta fosse vista por outra médica do S. João e esta era de oncologia, embora ela não soubesse. «Pôs-lhe a mão no pescoço e disse-me: «tenho de tirar um gânglio do pescoço da Marta e ela tem de fazer os tratamentos a seguir». Quando levaram a filha, Fátima leu «hospital de dia, oncologia pediátrica. Só podia ser engano. «Não, não me enganei», respondeu-lhe a enfermeira amiga.
«Já tinha pensado em tudo, sabe? Mas na hora da verdade, nunca assimilamos. Não tinha forças para nada, nem para caminhar, nada.»
Aqui a Marta quis falar: «Quando a médica me perguntou se queria ir para o IPO eu disse que não, que não tinha doença para isso. Percebi logo que tinha um tumor, mas não acreditava muito bem, achava que ainda havia esperança».
«só me perguntava o que tinha feito de mal»
Quando a Marta, a mãe e o pai chegaram a casa, foi cada um para um quarto chorar. Sozinhos. Para que nenhum outro sofresse mais. «Eu só me perguntava o que é que eu tinha feito de mal para me acontecer aquilo. Não queríamos mesmo acreditar. Ainda na semana anterior eu tinha participado numa prova de atletismo na Póvoa de Varzim e ficado em quarto lugar. E também não tinha sintomas. Não sentia nada, fazia tudo normal».
A mãe salta a recordação da dor, lágrimas nos olhos. «Depois foi o arregaçar das mangas», conta. «A Marta fez uma biópsia aos gânglios, tirou um, fez uma biópsia aos ossos, fez um mielograma e colocou um cateter no peito para receber os tratamentos».
Quando chegaram para fazer a biópsia a outra médica estava lá. «Mas não lhe guardo rancor, acho que errar é humano... Mas sabe o que ela me disse? «Só me acredito quando vier o resultado da biópsia». O resultado foi positivo.
Dentro do azar, a Marta teve sorte. «Felizmente, o tumor só estava no pescoço. Estava mesmo no início e cresceu para fora, por isso detectou-se logo. Senão podia ter afectado o fígado, o pâncreas, virilhas e axilas». Fátima nunca mais se esquece das palavras do médico: «Dou-lhe 80 a 90 por cento de cura...»
A Marta fez quatro ciclos de quimioterapia, cinco dias por semana. Ao terceiro dia de quimioterapia o inchaço começou a desaparecer. Na segunda semana já tinha o pescoço quase normal. Depois chegou a vez da radioterapia. O programado era fazer 25 sessões de radioterapia atrás e à frente. Foi preciso, aliás, fazer uma máscara para lhe proteger os dentes. Mas a médica achou melhor fazer só 12 sessões.
Durante os tratamentos, começaram as aulas. Um pedopsiquiatra acompanhou a Marta nesta fase e da escola receberam um apoio «espectacular». «A presidente do conselho executivo disse-me que se a Marta não fosse à escola, a escola ia a casa dela, e que se não houvesse outro professor ia ela. Os colegas também foram espectaculares».
Também durante os tratamentos aconteceram as sequelas habituais neste tipo de doença. A Marta lembra-se bem: «tinha o cabelo enorme, sempre abaixo do ombro, foi horrível¿». E também se lembra da primeira vez que começou a cair. «Estava a ver televisão deitada no sofá e quando levantei a cabeça vi muito cabelo, mesmo muito, no braço do sofá. Não percebi logo, ou não queria acreditar que pudesse ser meu. Comecei a passar a mão no cabelo e ele saía às mãos cheias¿ Fui à cozinha e disse à minha mãe que estava no cinzeiro da sala uma coisa para ela¿»
Nesta altura, Fátima não se contém. «A Marta foi muito má para mim, naquela altura. Atacava-me muito. Eu estava sempre ansiosa pelas quartas-feiras para chegar à Acreditar e chorar. Mas o psiquiatra explicou-me que era normal. Ela estava revoltada e despejava na pessoa de quem se sentia mais próxima».
E como o cabelo da Marta começou a cair, «O irmão, de quatro anos, foi o primeiro a rapar. Mas em casa todos rapámos o cabelo. Mas todos os dias de manhã lhe caíam bocadinhos». Depois foi o problema da comida. Fátima recorda que «tinha de ser tudo desinfectado, os produtos tinham de ser o menos manuseados possível. Tudo caríssimo. Eu estava desempregada. Mas levei tudo direitinho».
Na casa da Marta, o que todos faziam era lutar e acreditar. «Durante três meses a Marta dormiu comigo e não podia apagar porque ela tinha medo de não acordar. O meu ,árido dormia na cama dela. Ele sofreu muito para dentro, deixou de conseguir conduzir. Mas foi um pai sempre presente e um marido espectacular». Da parte da família receberam muito pouco. Praticamente deixaram de ter visitas. «Vimo-nos muito sozinhos, desamparados. Outra coisa muito má era irmos na rua e sermos tratados como coitadinhos». O apoio veio dos atletas. Os pais da Marta são ex-atletas do FC Porto e, conta Fátima, «eles nunca nos abandonaram. A Albertina Dias deu-me muita força porque o marido dela morreu de não-Hodgkin. A Marta esteve uma semana em casa da Manuela Machado para espairecer; A Fernanda Ribeiro manda-lhe equipamentos. E também nos ajudam nas iniciativas da Acreditar»
Ao final de um ano, a Marta teve alta para comer o que mais queria: cebola e ketchup. E também teve alta para correr. A primeira competição foi no sítio onde tinha feito a última: na Póvoa de Varzim.
Actualmente, Fátima é voluntária na Acreditar. «Dou apoio emocional a outras mães, falo com outros meninos na net, por msn». A Marta recebeu a boa notícia em Janeiro deste ano: está curada. Mas desde que teve alta, não mais parou de correr. E tem medalhas para mostrar. É campeã nacional por equipas de juvenis e, entretanto, fez mínimos para o campeonato nacional de Atletismo em 1.500 e 3.000 metros, que se realiza a 28 e 29 de Junho em Abrantes. Por isso, é com orgulho que diz: «Vale a pena lutar contra tudo o nos aparecer à frente, porque apesar de todo o mal, vai acabar bem».
in PortugalDiário online

segunda-feira, abril 21, 2008

Recados da Gosma

Para quem ainda tenha dúvidas, a Gosma é a CristinaJ, claro...! Então, a pobre está sem computador e pediu para dizer à Gigi que manda um beijinho muito grande e está com ela no coração. Para a Alda e para a Joaninha manda muitos parabéns.
Pronto, estes foram os recados dela. Como eu a conheço de gingeira, só vos posso dizer que é tudo mentira. Ela é uma falsa!

Queria tanto ver os meus netos que reuni forças


Hoje em dia acordo e penso como vai ser o meu dia. Quando muito, como será amanhã. Os meus projectos acabam aqui. Vivo o dia». Manuela Heitor tem 63 anos e há quatro anos tirou o peito direito e gânglios do braço direito. No início, escondeu-se atrás da doença, proibiu a família de contar a quem quer que fosse e recusava-se a pronunciar a palavra «cancro». «Porque achava que era uma palavra muito má, a minha mãe também já tinha morrido com cancro», explica.

Hoje, apesar de ainda não ter ouvido do seu médico que está curada, e das dores persistentes que a atiram para a realidade, fala de esperança, de fé e irradia força nas palavras. Na voz sente-se coragem. «Tem de ser. É para o meu marido não se ir abaixo. Ele é muito sensível, sabe? Tenho de ser mais forte para ele não ficar mal». Percebemos. «E gostava de ver os meus netos crescer. São eles que me dão força».

Manuela Heitor sentiu as primeiras dores em Outubro de 2004, quando estava em casa a fazer tapetes de arraiolos, «uma espécie de picada no peito», que não parava. Tomou ben-u-ron e a dor aliviou. «Pensei que era do esforço, do trabalho que estava a fazer, mas mais tarde, quando entrei na sala estavam a falar na televisão sobre o rastreio do cancro da mama e decidi apalpar do lado direito. Senti logo. Apalpava uma coisa dura, tipo um caroço, por baixo do braço. Passei o resto do dia a pensar naquilo, a apalpar o caroço. Mas não falei nada a ninguém».

Às 17 horas não aguentou mais e foi à urgência do SAP. «A médica disse logo que não gostava do que estava a apalpar. Tinha de fazer exames urgentemente. Escreveu uma carta que no dia seguinte entreguei à minha médica de família. Disse-me o mesmo: «Não estou a gostar nada disto». Manuela é que não estava a gostar mesmo nada. Estava em pânico, mas manteve silêncio.
Fez mamografia, ecografia e ainda outro exame cujo nome não sabe precisar. A médica que a assistiu nos exames disse logo que «nada do que estava a ver era bom». Já com os resultados na mão, a médica de família foi peremptória: «Isto que está aqui é para tirar e para raspar». Mas Manuela ainda não sabia se era benigno ou maligno. «Agarrei-me a esta esperança. A gente pensa sempre que pode ser o pior, mas não quer acreditar. Tem sempre esperança que não seja verdade».

Chorei compulsivamente

Fez uma biópsia e ao final de duas semanas chegou o resultado. «O mundo cai em cima de nós quando nos dizem que é maligno. Não reagi. Saí a correr. Não podia ver a médica à frente. Odiava-a. Tinha mesmo de sair. Quando cheguei cá fora, comecei a chorar compulsivamente».
Entretanto já contava com o apoio da família, apesar de só ter contado depois de ter sido pressionada. «Tinha muito medo de contar. Quando fui fazer as ecografias disse ao meu marido que ia comprar uns óculos, mas ele achou que estava a demorar e quando cheguei a casa as minhas irmãs e ele caíram-me em cima com perguntas. Não aguentei».

Depois o problema foi contar aos filhos. A nora ia ter bebé em Dezembro e a filha em Março. Tinha medo de afectar os bebés. Acabou por contar ao filho e pediu-lhe para ter cuidado a contar. «Foram momentos muito difíceis. Tentei ser forte por causa dos bebés. Fiz sempre por ser mais animada».

Mas até ser operada, conta, «correu tudo mal. A médica encaminhou-me para a maternidade com o argumento de que seria mais rápido, mas não foi. Em Novembro não havia vagas, depois o médico não podia operar-me, depois reformou-se, depois ia ser outro médico, mas meteu-se o Natal, depois as cunhas passaram à minha frente. Só fui operada a 14 de Janeiro. E o pior é que sempre me disseram que depois de fazer a biópsia tinha de ser rápido. E já a tinha feito em Novembro. Pensei muito na morte, não sabia o que me iria acontecer. Todos os dias acordava a pensar nisso... Ainda hoje penso».
Após a mastectomia, começaram os tratamentos. Três sessões de quimioterapia, 25 de radioterapia todos os dias, mais três de quimioterapia. Actualmente toma um comprimido por dia e faz fisioterapia e drenagem linfática todos os dias.

O facto de não ter sido operada e seguida no IPO ou num hospital com oncologia impede-a de ter tratamentos gratuitos e privou-a também de acompanhamento e aconselhamento antes e depois da operação. Quando sentiu o braço a inchar, porque não fazia drenagem linfática, também não recebeu as melhores respostas médicas. O fisioterapeuta que a seguia também lhe disse que não sabia fazer isso, mas pensou que isso não seria importante.

«Antes sentia-me uma pessoa rara»

Teve a sorte de ouvir falar de um aparelho que lhe permitia fazer essa massagem em casa e uma pesquisa na net levou-a até à Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama. «Descobri pessoas excelentes, que me ajudaram muito, sempre dispostos a ouvir, a apoiar-nos. Agora faço todos os tratamentos aqui. Antes nem conseguia falar do que tinha, sentia-me diferente, uma pessoa rara. Não queria que ninguém soubesse que estava doente e sentia-me muito revoltada e sempre a perguntar «Porquê, porquê?». Havia dias em que só me apetecia atirar a prótese pela janela, não queria aquilo. E quando o cabelo começou a cair, também foi terrível, porque olhava ao espelho e não me reconhecia, não era eu».

Hoje, Manuela Heitor trata o cancro por «tu», mas continua a ser difícil. «De manhã levanto-me e não sou capaz de andar em casa de robe, porque o meu corpo está todo deformado. E tenho dores... Eu digo sempre que está tudo bem, mas dói-me a cicatriz». Escolher roupa também é complicado, tem de cobrir o braço direito, é preciso ter cuidado com os decotes e os tecidos também dificultam a escolha: «A maior parte magoa-me e causa-me impressão na zona que foi queimada».

O que é que a ajudou a ultrapassar a doença? «Os meus netos mais velhos, um tem agora sete anos e outro seis foram visitar-me quando fui operada e o mais velho não olhou para mim, agarrou-me as mãos, mas fechou os olhos¿ E eu queria tanto estar com eles. Queria tanto vê-los¿ tanto¿ que reuni todas as minhas forças para ficar melhor. E ainda hoje todos os momentos que tenho livres são para estar com eles, vamos ao cinema, ao parque¿ Eles é que me dão força. Os dois mais velhos sabem de tudo. Um deles participou comigo na iniciativa «Um Dia pela Vida» e quando nos encontramos todas, as vítimas de cancro, emocionámo-nos e chorámos. Ele achou que não devíamos estar a chorar porque já estavam a ganhar dinheiro para comprar remédios e íamos ficar boas. Ele disse-me isto...»

In PortugalDiário online

domingo, abril 20, 2008

Exsultate Jubilate, outra vez!

Não sei se já viram as pinturas, mas não deixem de ver, por favor! E reparem na Lady Quimio e nas suas meias...

http://exsultatejubilate.bloguepessoal.com/tags/pinturas/

Parabéns Alda...!


sábado, abril 19, 2008

Almoço de Mongas!


Hoje foi dia de almoço de Mongas...! Ele é Gosmas, ele é Mongas... E querem que eu seja normal???!!!

Bom, eu, a Cristina, a Noémia, a Paula, a Carla, a Lurdes, a Teresa, a Ana Isabel e a Maria formamos o Clube das Mongas. Já nos aturamos há vinte e dois anos (a Carla e a Maria mais recentemente) e já passámos por muitas coisas. Temos tido altos e baixos (como os interruptores), mas nada abala o prazer de estarmos juntas. E, talvez o mais importante de tudo, sabemos que podemos contar umas com as outras sempre e em qualquer circunstância.

Foi bommmmmm...!

quarta-feira, abril 16, 2008

Gigi


segunda-feira, abril 14, 2008

We are on diet...!


A pedido de várias famílias (na verdade, sou eu e a outra Nela, a Lou), vou dar-lhes um cardápio para emagrecimento progressivo com perda de peso, volume e gordura corporal.

Sei que vão dizer que não precisam, mas vão para cima da balança e vejam a miséria em que estão. Depois peguem na máquina de calcular e façam a conta: IMC=P/(AxA), em que P é o peso e A a altura. Se a coisa der mais do que 25, eh pá, estão perdidas. Façam a dieta!

Pequeno-almoço:
  • 1 pãozinho ou 1/2 pão escuro (centeio, mistura, integral) com fiambre magro ou queijo fresco ou mista
  • chá ou café de 5 cereias ou leite de soja (para quem anda às voltas com o estrogénio, esqueçam a soja)

Meio da manhã:

  • 1 iogurte magro (0% gordura e 0% açúcar) e 2 nozes (4 metades)

Almoço:

  • sopa rica em hortaliças e legumes (pouca batata, pouca cenoura e pouca abóbora)
  • carne, peixe ou ovo
  • salada e legumes à vontade
  • farináceos (só 1/4 do prato)

Meio da tarde:

  • 1 peça de fruta (maçã, pera, laranja, kiwi, abacaxi, banana, papaia, 1/4 manga)
  • gelatina light (0% gordura e 0% açúcar) ou leite de soja

Jantar:

  • Igual ao almoço, mas sem os farináceos

(duas vezes por semana, o jantar é só sopa e um queijo fresco)

Ceia:

  • Chá sem açúcar

Mínimo de 1 litro de água por dia, fora das refeições.

E voltem cá amanhã para vos dar alternativas e outras ideias.

domingo, abril 13, 2008

A produção do fim de semana


Este fim de semana deu para estarmos com o meu "mano" e a minha "cunhada", para tratarmos dos vegetais e para produzir obras de... arte... Bahahahaha...

Também deu para assistir a uma demonstração da Bimby (tema que ficará para outro post...).

Fica aqui uma imagem da tal "obra de arte"...!


sexta-feira, abril 11, 2008

Almoço de (algumas) Gosmas!

Ai Meninas, ainda não me refiz do trauma...!

Hoje foi dia de almoço de Gosmas. Eu, a CrisJ, a Isalenca, a Celeste, a Mafalda, a Imel e a Mimas. A Gigi também era para vir, mas teve juízo e ficou indisposta. Gigi, querida, acredita: abençoada vomitadela! Logo tu que também trabalhas aqui na zona; nunca mais podias voltar àquele restaurante. Como eu também não vou poder voltar...

Na sequência do post anterior, já estão a adivinhar: eu comi peixinho grelhado só com legumes e bebi água. A Mimas também só bebe água, mas isso é doença crónica!

As outras, valha-me Deus, conseguiram pedir cerveja e um jarrão de vinho branco...! Aquilo só podia dar mau resultado... Claro! O problema é que EU é que trabalho aqui e até gosto daquele restaurante e agora não vou poder lá voltar... Bem fez a Gigi.

Não vou contar tudo. Até porque não quero estar a denegrir a imagem das outras, mas só para perceberem a ideia, conto um pequenino episódio.

Não é que uma delas (não digo qual, mas começa por C) contou (e já sabem como os decibéis aumentam na proporção directa do vinho ingerido) que um dia perdeu a mama e foi dar com ela debaixo da cama?! Outra vez, a mama escorregou na aula de aeróbica e ficou presa no cós das calças do fato-de-treino...?! Oh valha-me Deus, nós sabemos que ela se referia à mama de silicone, mas o resto do restaurante não sabia! Contou, inclusive, que uma amiga, uma vez, deixou cair a mama ao pé do Técnico e ela veio a resvalar pela Alameda abaixo até ao pé da Igreja Universal do Reino de Deus... Vocês imaginam o sentimento de heresia que perpassou por aqueles crentes?! A outra a correr Alameda abaixo: apanhem a minha mama! Apanhem a minha mama! Tendo em conta a zona onde ocorreu o incidente, sorte teve ela em não levarem as suas palavras à letra. Se tivesse sido ao lusco-fusco, podem ter a certeza de que ela não saía dali sem que a mama tivesse passado por várias mãos...

Salto agora por cima de vários episódios só para não escandalizar ninguém. Mas não resisto a contar outro. Não digo quem foi (mas, curiosamente, também começa por C), bebeu vinho até ficar mais corada do que eu fiquei no fim da radioterapia, e resolveu "roubar" a minha água. Não foi de modas: toca de despejar um pouco da (minha) água no copo dela, enxaguou, despejou a água da lavagem no meu copo e depois de ter o dela já lavado, encheu-o com o resto que estava na minha garrafa e bebeu. Quando fui beber do meu copo, imaginam, não é?, a água sabia a vinho! A bem dizer, era água de lavar a louça...!

Acham normal...???!!! Eu não acho! E fico por aqui. Hoje é sexta-feira e não vos quero estragar o fim de semana.

(A foto é da IsaLenca. Eu nem máquina levei. Para registar misérias, não valia a pena...)

quinta-feira, abril 10, 2008

Consulta no IPO

Boas notícias! Está tudo bem: sem recidivas! A frase mais apetecida...
Está tudo bem, excepto... o peso... Pois, tenho que emagrecer! E até é muito fácil... Quando estava à espera da consulta, telefonou-me a Imel para discutirmos o restaurante do almoço de amanhã... Oh Céus, assim não há quem aguente!

Bom, ficam vocês todos e todas como testemunhas: eu vou emagrecer! Está prometido. Ok?

quarta-feira, abril 09, 2008

Histórias da minha vida...(6)

09 Setembro, 2006


Hoje… Hoje… Hoje… Hoje… Hoje… Hoje… Hoje, apetece-me dizer, como a Dona Lurdes: Eu não sei, eu não sei, eu não sei, eu não sei, eu não sei, eu não sei!Eu não sei o que estou a fazer ali. Alivia alguém? Serve-lhes de alguma coisa?

A Dona Flor foi transferida. Não consegui perceber porquê… Não sei o que esteve na origem da transferência. A Dona Flor era uma pessoa que poderia estar em casa, com alguém que a cuidasse. Sentir-se-ia menos só, menos desenraizada. A opção de a ter ali é dispendiosa. Talvez a família não tivesse mais hipótese de pagar aqueles cuidados privados. Também não interessa saber porquê. Não está na nossa área de intervenção fazer seja o que for para alterar isso. Assim, espero que cuidem bem dela; como já disse, ela exige muito pouco e agradece muito o pouco que lhe dão.

A Dona Perpétua estava novamente desperta. Segundo ela disse, o médico reduziu-lhe a dosagem de uns comprimidos que a deixam muito sonolenta. Creio que serão para os pequenos surtos psicóticos que ela tem. Hoje estava mais resignada com a ideia de que não mais voltará à sua vida de voluntária, activa e interveniente. Quando me vim embora, ficou a rezar o terço por todos nós que andamos tão desviados do Senhor. Faz bem. Andamos mesmo muito desviados de Quem Somos.

A Dona Lurdes não estava nada bem. O seu discurso estava mais ou menos perceptível, mas o seu rosto deixava transparecer as dores que tinha. Doía-lhe tudo, levava com frequência a mão à cabeça e estava muito, muito triste. Quando lhe perguntei se preferia ir para a cama em vez de estar no cadeirão, respondeu: Aqui, qualquer coisa serve… Não estou a cumprir a promessa que lhe fiz. Disse-lhe que nos entenderíamos sempre; se não fosse por palavras, através do coração, havíamos sempre de nos compreender. Hoje, hoje, hoje, hoje, hoje, hoje, hoje não a entendi várias vezes. Vejo-a cansada, esgotada desta batalha de continuar viva e vejo-a sem perceber por que é que tem que estar viva. Os olhos dela já disseram adeus tantas vezes…

O Sr. Jacinto caiu ontem. Caiu do cadeirão e caiu da esperança. Ainda não está de pijama e fez questão (e um grande esforço) para se levantar e cumprimentar-me quando cheguei. Custa-lhe muito pôr a hipótese de um cavalheiro permanecer sentado quando uma senhora se aproxima, mesmo que isso seja imposto pela doença. Os seus olhos estão tão amarelos como os do meu pai estavam há 29 anos atrás. Toda a sua pele denuncia a doença que o consome e alastra de semana para semana. Caiu na casa de banho e lá conseguiu amparar-se nos varões que estão espalhados ao longo das paredes. Ontem, estava sentado num dos cadeirões, fora do espaço dos quartos, onde o encontrei pela primeira vez e para onde foge sempre na esperança de que as imagens de morte dos outros doentes não o persigam. Quando se levantou, ou se quis levantar, as pernas já não obedeceram e caiu em cima de uma mesa. Sente-se agora muito inseguro e tive que o ajudar a ir até à mesa das refeições. É muito difícil para ele amparar-se a mim para conseguir percorrer 5 metros.

Disse que estava muito triste e que sabia que não tinha muito tempo. Quanto tempo tem ele? Não sei. Mas está confuso. Não entende como é que ainda ontem era um homem de negócios e hoje o corpo está num processo de degradação e perda de capacidades.

E eu também não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei. Eu não sei.

(Dez dias depois, o Sr. Jacinto partiu. Também eu parti, terminando assim o meu trabalho naquela Unidade de Cuidados Paliativos.)

segunda-feira, abril 07, 2008

Histórias da minha vida... (5)

A Dona Perpétua


A D. Perpétua tem 88 anos. Segundo a própria: tem aquela doença dos ossos, cai muito e parte-se toda...

Fez voluntariado durante 40 anos e vê-se que é uma pessoa muito disciplinada e exigente. Os olhos podem já não cumprir a sua função e impedi-la de ler, mas marcam bem o seu rosto com um ar inquiridor e atento. Tem dificuldades de audição, o que se coaduna com o facto de gostar mais de falar do que de ouvir. Falar, no entanto, começa a ser uma actividade moderada, porque já se cansa bastante.

Gostava muito de escrever pequenos textos, pensamentos, enfim espelhava assim a sua interpretação da realidade. Agora já não faz nada disso. Já não consegue.

Acho que me examina mais do que usufrui da minha presença. Isto de ser voluntária recente ao pé de uma veterana não é fácil. Há que provar. A D. Perpétua olha para mim como a “jovem” que tem que demonstrar que sabe estar ao serviço dos outros.

Este teste vai ajudar-me a melhor interiorizar este trabalho. Uma bata e um curso não fazem um voluntário e a D. Perpétua pode ser a minha mestra. Pelo menos, leio essa determinação nos seus olhos e só lhe posso agradecer por isso. Não é uma pessoa fácil. E por isso também lhe agradeço.

Aquando da segunda visita, a D. Perpétua já fazia uma enorme diferença. Jazia na cama, olhos cerrados, dormindo aquele sono inquieto dos doentes. No dia anterior, tinha tido uma crise e tornara-se agressiva e violenta. A medicação foi aumentada para ela poder descansar.

A D. Perpétua não está de bem com a vida. Vê-se que muitas mágoas e ressentimentos povoam o seu coração e lhe tiram a tranquilidade para enfrentar o grande momento, conforme ela própria lhe chamou. Espero que a disciplina e a exigência que demonstra ter abrandem um bocadinho, e a D. Perpétua possa perdoar a Deus, ao mundo e a si. Assim, já mais apaziguada, poderá enfrentar sem revolta o grande momento da sua verdade.

sábado, abril 05, 2008

Olhar

Será que ainda bebo o futuro com os mesmos olhos? Será que ainda ouço o apelo dos meus sonhos como ouvia? Será que ainda me espanto com a vida? Será que esta avidez não ficou pelo caminho? Será que embalo quem me acompanha como embalava esta boneca?


(Será que ainda sou capaz de desmanchar despertadores e voltar as juntar as peças como fazia? Para grande angústia dos meus pais. E para grande castigo meu...)

Parabéns



Parabéns, minha Querida, onde quer que estejas...

Segue a tua viagem descansada; nós estamos todos bem.

sexta-feira, abril 04, 2008

Histórias da minha vida... (4)

A Dona Flor

A D. Flor assustou-me quando a vi pela primeira vez. Entubada, com o olhar perdido, incapaz de verbalizar qualquer ideia, os braços “mortos” e muito trémulos, a D. Flor era a imagem de uma doente que se sabe perdida.

Não. A D. Flor teve um AVC, mas tem recuperado de uma forma inacreditável. Na semana seguinte, fomos até ao jardim, aproveitando as horas matinais em que o calor ainda nos dava descanso. Ela não falava, mas entendia as nossas perguntas e respondia com acenos de cabeça. Já não tinha os incómodos tubos no nariz.

Na outra semana, já balbuciava uma ou outra palavra. Percebi que os seus olhos brilhavam felizes com a minha companhia. Fazíamos alguns exercícios com os dedos que teimavam em permanecer rígidos e dobrados sobre si. Conseguiu apertar ligeiramente a minha mão. E isso foi uma grande vitória.

Com estas pequenas grandes vitórias, a D. Flor já poderia sair dali. Aquele é um local onde se caminha na direcção do silêncio e da paz. O percurso desta senhora é no sentido inverso: é o da recuperação e da vida. Mas lá permanece desenraizada de tudo e é lá que nos tem disponíveis para assistir e incentivar todos os seus progressos.

Numa das minhas últimas visitas, encontrei-a um pouco triste. Perguntei-lhe o que se passava; respondeu que lhe doía o peito junto do coração. Coloquei a minha mão lá em cima e ficámos a conversar sobre o facto de ela estar assustada e com medo de uma recaída. Não sei se falar sobre o medo a aliviou, ou se o contacto físico lhe aqueceu o coração. Deixou correr as lágrimas uma a uma, em silêncio e com os olhos fixos nos meus. Quando as lágrimas acabaram, disse que já não tinha a dor... Já tinha passado.

A D. Flor exige pouco. Pareceu satisfeita com este toque que lhe tirou a dor no peito. Voltou a sorrir e desejou-me o melhor do mundo para mim e para a minha família.

Quando se diz que a solidão é dolorosa, é mesmo porque provoca dores. Não é uma figura de estilo! Dói mesmo.

quinta-feira, abril 03, 2008

G O S M A !


Muitos parabéns, velha carcaça...! Que tenhas um dia muito feliz, um ano muito feliz e uma Vida muito feliz! E não refiles, é bem mais do que mereces...!

Góti...

quarta-feira, abril 02, 2008

Exsultate Jubilate

Uma amiga da Buba criou um blog (*) que devem consultar:

http://exsultatejubilate.bloguepessoal.com

(*) - Excelente, bem escrito, profundo, ternurento...

terça-feira, abril 01, 2008

Parabéns, Marilu!

Muitos parabéns, Marilu. Muitas, muitas, muitas felicidades.

E agora, toca a falar dessa grande novidade...!

Jinhos e até daqui a 50 anos, para um grande brinde.