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Quarta-feira, Março 05, 2008
Cuidados paliativos: faltam unidades e formação
Poucas unidades de internamento e equipas de apoio domiciliário, falta de profissionais qualificados e dificuldades de acesso dos utentes caracterizam os cuidados a doentes terminais em Portugal quatro anos após a publicação do Programa Nacional de Cuidados Paliativos.
Estimativas da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) apontam para que existam em Portugal cerca de 60 mil novos doentes terminais por ano que precisam de apoio, enquanto o número de profissionais a trabalhar nesta área não deverá ultrapassar os 120.
«A resposta em termos de cuidados paliativos é manifestamente insuficiente», disse à Agência Lusa Isabel Neto, presidente da APCP, que esta quarta-feira faz um ponto de situação dos cuidados paliativos em Portugal na comissão parlamentar de Saúde, onde vai a pedido do CDS-PP.
Os técnicos «não chegam para as encomendas» e só deverão conseguir acompanhar uma média de três mil doentes por ano. O reduzido número de profissionais de saúde qualificados nesta área, a falta de respostas ao nível do apoio domiciliário e as dificuldades dos doentes em aceder aos cuidados devido ao deficiente encaminhamento são os principais problemas identificados por Isabel Neto, também responsável da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz.
«Esta é uma área onde é preciso apressar o passo. São precisos planos estratégicos, dar formação aos médicos e criar vagas bem remuneradas para os profissionais poderem trabalhar», defendeu.
Especialidade médica
«A médio e longo prazo defendemos que sejam uma especialidade médica. Neste momento pode ser precoce, mas iremos discutir isso com a Ordem dos Médicos. Senão para especialidade médica, pelo menos para que seja uma área de diferenciação», disse.
A mesma aposta na formação defende Alice Cardoso, responsável pelo grupo de trabalho dos Cuidados Paliativos da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados de Saúde, do Ministério da Saúde, que admite que em Portugal a taxa de cobertura deste tipo de cuidados «é pouco superior a zero».
70 camas
De acordo com Alice Cardoso, até final do mês estavam em funcionamento oito unidades de cuidados paliativos, uma das quais privada, sendo que apenas cinco destas funcionam na Rede de Cuidados Continuados Integrados, o que representa uma capacidade de internamento de 70 camas em todo o país.
Acordos com hospitais
A responsável, que visitou todas das Administrações Regionais de Saúde para estimular a instalação de unidades, afirma ter o compromisso de «meia dúzia de hospitais» para a criação de espaços de internamento ou equipas intra-hospitalares.
As metas estabelecidas pela Rede Nacional de Cuidados Continuados apontam para que em 2008 existam em Portugal 326 camas de internamento para cuidados paliativos.
A responsável questiona ainda a falta de apoio domiciliário e defende a comparticipação total dos medicamentos opiáceos como a morfina. Relativamente aos medicamentos, Alice Cardoso considera que a comparticipação a 50 por cento é «injusta» relativamente a doentes crónicos que têm medicamentos grátis.
«Não é justo que um doente com SIDA tenha direito a antiretrovirais grátis e tenha que pagar os opiáceos para aliviar as dores», disse Alice Cardoso.
PortugalDiário, 05.03.2008
posted by Nela at 13:46
Poucas unidades de internamento e equipas de apoio domiciliário, falta de profissionais qualificados e dificuldades de acesso dos utentes caracterizam os cuidados a doentes terminais em Portugal quatro anos após a publicação do Programa Nacional de Cuidados Paliativos.
Estimativas da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) apontam para que existam em Portugal cerca de 60 mil novos doentes terminais por ano que precisam de apoio, enquanto o número de profissionais a trabalhar nesta área não deverá ultrapassar os 120.
«A resposta em termos de cuidados paliativos é manifestamente insuficiente», disse à Agência Lusa Isabel Neto, presidente da APCP, que esta quarta-feira faz um ponto de situação dos cuidados paliativos em Portugal na comissão parlamentar de Saúde, onde vai a pedido do CDS-PP.
Os técnicos «não chegam para as encomendas» e só deverão conseguir acompanhar uma média de três mil doentes por ano. O reduzido número de profissionais de saúde qualificados nesta área, a falta de respostas ao nível do apoio domiciliário e as dificuldades dos doentes em aceder aos cuidados devido ao deficiente encaminhamento são os principais problemas identificados por Isabel Neto, também responsável da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz.
«Esta é uma área onde é preciso apressar o passo. São precisos planos estratégicos, dar formação aos médicos e criar vagas bem remuneradas para os profissionais poderem trabalhar», defendeu.
Especialidade médica
«A médio e longo prazo defendemos que sejam uma especialidade médica. Neste momento pode ser precoce, mas iremos discutir isso com a Ordem dos Médicos. Senão para especialidade médica, pelo menos para que seja uma área de diferenciação», disse.
A mesma aposta na formação defende Alice Cardoso, responsável pelo grupo de trabalho dos Cuidados Paliativos da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados de Saúde, do Ministério da Saúde, que admite que em Portugal a taxa de cobertura deste tipo de cuidados «é pouco superior a zero».
70 camas
De acordo com Alice Cardoso, até final do mês estavam em funcionamento oito unidades de cuidados paliativos, uma das quais privada, sendo que apenas cinco destas funcionam na Rede de Cuidados Continuados Integrados, o que representa uma capacidade de internamento de 70 camas em todo o país.
Acordos com hospitais
A responsável, que visitou todas das Administrações Regionais de Saúde para estimular a instalação de unidades, afirma ter o compromisso de «meia dúzia de hospitais» para a criação de espaços de internamento ou equipas intra-hospitalares.
As metas estabelecidas pela Rede Nacional de Cuidados Continuados apontam para que em 2008 existam em Portugal 326 camas de internamento para cuidados paliativos.
A responsável questiona ainda a falta de apoio domiciliário e defende a comparticipação total dos medicamentos opiáceos como a morfina. Relativamente aos medicamentos, Alice Cardoso considera que a comparticipação a 50 por cento é «injusta» relativamente a doentes crónicos que têm medicamentos grátis.
«Não é justo que um doente com SIDA tenha direito a antiretrovirais grátis e tenha que pagar os opiáceos para aliviar as dores», disse Alice Cardoso.
PortugalDiário, 05.03.2008

















6 Comments:
O que podemos fazer para ajudar nos cuidados paleativos? eu gostava apessar de não saber se tenho essas capacidades.
Bjfs
Para quem acha que pode ajudar nesta área, o mais acertado é ir vendo no site da APCP o calendário de formação. O último curso de Cuidados Paliativos para Voluntários promovido pela APCP foi: http://www.apcp.com.pt/index.php?sc=vis&id=270&cod=81
Terá que se começar pela formação para se poder integrar uma equipa.
Este site deve consultar-se de vez em quando. Há sempre uma ou outra novidade.
Nela um beijinho para ti.
Não vou comentar o texto informativo que postaste, tu sabes... é preferivel manter-me assim caladita, cá com as minhas "coisas"!
Jinhos a todas
Olá Manela,
já cá tinha passado ,mas a pressinha...agora voltei para te deixar um beijinho(ainda bem que o fiz) e para visitar o site.beijinhos
Carmen,já te tenho visto por aqui...quero dizer-te que fico feliz (por estares feliz)e agradecer por compartilhares melhores notícias da tua amiga.Muita força para a tua amiga.
Beijos para todas.
Carmen, também ficamos bem por ti, e pela tua amiga, claro.
Estarás mesmo felicíssima.
Da minha parte, um beijinho grande e que tudo continue a correr como desejado.
Gosma, um beijo também para ti...
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