É só mais um bocadinho!

segunda-feira, março 31, 2008

Porque tenho um blog?

Pela primeira vez, respondo a um desafio lançado por outra bloguista: a Ana Santos do blog Maria, minha vida.

Conforme ela própria refere as regras do desafio são: "As que regem todos os outros desafios, seguindo a regra de bem viver na blogoesfera, responder à pergunta e passá-la a outros bloguistas num nº entre 7 e 9 dizendo porque os seguem, enviar selo do desafio.".

Eu comecei o meu blog porque sou invejosa. Um colega do meu mais-que-tudo tinha um sobre futebol e eu perguntei: o que é um blog? Ele explicou e eu também quis um! Estava de baixa, com tempo disponível e um portátil ali ao pé. Pensei: vou contar a minha história e dividir as minhas angústias e alegrias. Talvez ajude alguém. Ilusão minha. O que aconteceu foi muito diverso do pouco que esperava: ganhei um maravilhoso grupo de amigas/os e como diz uma delas, cada vez me sinto menos só.

Comecei por nada, tentei fazer uma coisita pouca e acabei a ganhar um mundo. Ainda me espanto com o que aconteceu...!

Como paga por esta excelente mais-valia, lanço o desafio:

À minha Alda, do http://viveroutravez.blogspot.com/ . Partilhamos este caminho desde o princípio e assim ficaremos até sempre;

À Carla, do http://bichinhofazdeconta.blogs.sapo.pt/ . Mais uma guerreira, uma querida que combate o seu bichinho com o sorriso mais lindo deste mundo;

À Isa Iluminada, do http://retratoiluminado.blogspot.com/ . Outra guerreira, que sabe escrever as nossas emoções como ninguém;

À Aida, do http://aida-guimaraes.blogspot.com/ . No meio de uma grande batalha, lá está ela, sorrindo, fazendo covinhas com o sorriso mais doce de todo o Norte;

À Isa de Beja, do http://umaluznaescuridao.blogs.sapo.pt/ . A alentejana mais batalhadora que conheço. Low-profile e High-friend;

À Loulou, do http://loulououicestmoi.blogspot.com/ . A nossa rainha africana está quase, quase a ir embora para a terra dela. Mas antes, e no meio das farras, ainda vai ter que responder a este;

e às malucas e gosmentas das Super-Glamorosas, do http://www.superglamorosas.blogspot.com/ . Estou para ver qual a Gosma que vai responder.

Chi-Kung Shaolin

Como sabem, eu pratico Yoga há alguns anos. Quando estive doente, tive muitas saudades e assim que foi possível, lá voltei eu às minhas aulas. Claro que agora faço algumas posturas (asanas) com limitações e algumas nem faço. Mas continua a ser a minha disciplina favorita.

http://www.yoga-samkhya.pt/

Construindo Harmonia na senda da Consciência Suprema.

No entanto, este fim de semana fui a um Workshop de Chi-Kung Shaolin e ADOREI...! Já tinha ido a umas aulas de Chi-kung há uns 5 anos, mas esta “linha” Shaolin deixou-me encantada. Fica aqui um resumo tirado da página

http://www.shaolin-wahnam-portugal.com/artigos.htm

O que é o Chi Kung?

Chi Kung é a arte de desenvolver energia, em particular para a saúde, vitalidade, longevidade, desenvolvi-mento mental e espiritual, indepen-dentemente da raça, cultura ou religião.

Apesar do termo “chi kung” ser de origem chinesa, as artes da energia têm sido praticadas por diferentes povos, especialmente no passado, tendo sido guardadas como segredos preciosos. Os indianos designavam a arte da energia como “yoga”, os tibetanos como a “arte da sabedoria”, enquanto os egípcios e os gregos lhe chamaram “arte misteriosa”.

Devido a razões culturais e históricas, podem existir algumas diferenças nos métodos e na ênfase em diferentes artes da energia de diferentes povos, mas todas lidam com o desenvolvimento da energia, tendo todas por objectivo promover a saúde física, emocional, mental e espiritual, independentemente da religião.

Vários tipos de Chi Kung

Existem, literalmente, centenas de tipos de chi kung, porque o termo chi kung é, na realidade, uma designação colectiva para várias artes de treino de energia.

Por exemplo, na história do chi kung na china, os médicos desenvolviam energia para a cura, os praticantes de kung fu para eficiência de combate, os académicos Confucionistas para desenvolvimento mental, e os praticantes Budistas e Taoistas para o crescimento espiritual.

Contudo, existem escolas de chi kung abrangentes, como é o caso do Shaolin Chi Kung e do Tai Chi Chuan Chi Kung, onde as várias necessidades de saúde, marciais, mentais e espirituais são contempladas.

Diferentes níveis de concretização no chi kung

Para além da existência de vários tipos de chi kung, servindo diferentes necessidades, existem, também, diferentes níveis de concretização dentro do mesmo tipo de chi kung.

Múltiplas variáveis determinam o nível de concretização, incluindo a adequação dos métodos escolhidos, a competência do professor, bem como a dedicação do aluno.
Obviamente, assumindo todos os restantes factores idênticos, um método superior, um professor experiente, ou um aluno que pratique regularmente produzirá melhores resultados que alguém sem estas vantagens.

Mas o que não é tão óbvio para muitas pessoas, incluindo muitos dos praticantes de chi kung actuais, é o nível operacional no qual se pratica chi kung. A prática do chi kung pode ser realizada a nível físico, a nível energético, ou a nível mental.

Forma, energia e mente no treino de chi kung

Apesar de existirem milhares de exercícios de chi kung, todos eles envolvem três elementos, nomeadamente, forma, energia e mente. Estes três elementos são os três tesouros de uma pessoa.

Noutras palavras, todo o ser humano tem forma, energia e mente. O treino de chi kung desenvolve conjuntamente estes três elementos de uma pessoa.

No entanto, devido a razões várias, a grande maioria dos praticantes de chi kung actuais, incluindo na china, praticam apenas o aspecto forma do chi kung, negligenciando os aspectos da energia e da mente.

Em rigor, isso não é chi kung, é apenas a forma do chi kung e, em termos de produzir benefícios para a saúde, penso que é menos efectivo que um exercício convencional como nadar ou exercícios de ginásio.

Por comodidade, designo este tipo de chi kung que presta atenção apenas à forma, chi kung de baixo nível.

Na minha opinião, o mínimo que um praticante deve ter, de modo a justificar designar o seu exercício chi kung, é o aspecto da energia, ou seja, o treino de energia. Este é o nível médio de chi kung, no qual o praticante realiza um trabalho consciente e objectivo para influenciar o seu fluxo de energia, tal como eliminar um bloqueio de energia ou aumentar o nível de energia.

O chi kung de alto nível é aquele em que a mente está envolvida. Depois de entrar no que é conhecido como “estado mental de chi kung”, o qual é um estado elevado de consciência, o praticante pode manipular a energia do modo que quiser como, por exemplo, obter energia do cosmos e dirigi-la para qualquer parte do corpo.

Neste nível, está para além de qualquer comparação com o exercício físico convencional. Não apenas as doenças ditas “incuráveis” podem ser curadas, como alguns mestres conseguem realizar feitos que uma pessoa comum considerará como milagres – ou embustes.

Que doenças pode a prática do chi kung superar?

O chi kung de baixo nível pode proporcionar algum exercício suave para melhorar a circulação sanguínea, relaxamento muscular, mas pode não ser suficientemente forte para superar doenças.

O chi kung de nível médio pode superar doenças como asma, tuberculose, reumatismo, dores no corpo, insónia, ansiedade e nervosismo e prevenir de forma eficaz as constipações e febres comuns.

O chi kung de alto nível pode curar qualquer doença, incluindo úlceras, desordens cardiovasculares, diabetes, e cancro. Isto não é uma afirmação exagerada; pessoalmente ajudei muitas pessoas a livrarem-se das suas doenças ditas incuráveis.

Existe, igualmente, uma explicação médica consistente para a cura. De acordo com a filosofia médica chinesa, a doença ocorre em caso de energia vital insuficiente para operar os sistemas naturais do corpo (e da mente), ou quando o fluxo de energia está perturbado.

O forte do chi kung é aumentar o nível de energia e limpar os bloqueios energéticos, logo superando a doença, independentemente das etiquetas utilizadas para descrever os seus sintomas.

sábado, março 29, 2008

Outras histórias da minha vida!

Ontem, dia 28, foi um dia especial. A minha filha fez 19 anos. Não dá para acreditar, não é? Pois, mas é verdade. E para começar o dia, recebemos um telefonema do nosso vizinho lá da terra. Parece que deixámos uma lâmpada acesa... E isto desde a passada segunda-feira... Bom, com estas coisas não convém arriscar e ficou decidido que o meu mais-que-tudo sairia um pouco mais cedo e ia lá apagar a luz, regressando ainda a tempo do jantar. Recordam-se? Era um dia especial e havia um jantar especial (até havia um bolo, com velas e tudo)!

Pois teria passado aí uma meia-hora, toca o telefone: Não sabes o que me aconteceu! No meio da auto-estrada, caiu-me o "resguardo" do fundo do carro... Agora vou a vinte à hora até à próxima estação de serviço!

Hum, isto está a correr bem!!! Liguei para a oficina onde tínhamos mudado o óleo e as pastilhas dos travões, precisamente no dia anterior. Coincidência? Hum, não me parece. Com a minha voz 33/B disse ao senhor da dita oficina que contasse com uma carrinha hoje, logo pela manhã, para arranjar e de borla!

Novo telefonema: Olha, já parei na estação de serviço e consegui amarrar aquilo com umas cordas e aguenta até lá. Depois ligo-te outra vez...

Ok! Quem quer um carro fashion, não deve deixar as luzes acesas!

Bom, ele chegou, apagou a luz, aproveitou para regar as alfaces e regressou a tempo do jantar. Cantámos o "Parabéns a você" e a noite acabou.

Hoje, pela manhã, conforme programado, o carro foi para a oficina. E eu fui para um Workshop de Chi-kung Shaolin, mas isso dará para outro post...

À tarde, fomos às compras. Comprámos um lindo banco de jardim e dois grandes e magníficos vasos. Resolvemos ir lá à terrinha levar os artefactos novos.

E, deixem-me que vos diga, ficam óptimos. Aquele banco virado ao pôr-do-sol é perfeito. Demos mais uma regadelazita aos vegetais e voltámos a pensar onde iriamos mordiscar o jantar. Até pensámos em sair da auto-estrada e ir a algum restaurante bem aconchegado. Pensámos! Mas não fomos...

Algures, depois de percorrermos uns quantos quilómetros, ouvimos algo a bater no carro. Não vimos nada e lá continuámos. Pouco tempo, muito pouco! Ploc... Ploc... Ploc... Ploc... Pois, este é o som ternurento de um furo num pneu, na faixa da esquerda, a 150Km/h, numa auto-estrada. Ploc... Ploc... Ploc... Ploc... Encosta. Veste os coletinhos (jeitosos, muito fashion... só não eram cor-de-rosinha), ele diz uns quantos impropérios e eu rio-me. Rio-me sempre nestas situações em que acontecem coisas que não deviam acontecer...

Não tinha passado nem 2 minutos quando apareceu a Assistência da Brisa. Acolhi aquele senhor com a frase: O senhor caiu do céu! Caiu mesmo! O pneu foi mudado, a assistência foi 5 estrelas. Voltámos. Acabámos agora de jantar...

Há muito tempo que não me ria tanto!

sexta-feira, março 28, 2008

Histórias da minha vida... (3)

O Sr. Jacinto


O Sr. Jacinto é um gentleman... Desde que o conheço, nunca o vi de pijama. O Sr. Jacinto marca bem a sua diferença em relação aos outros doentes. Ele está ali a repousar, porque não tem condições de o fazer em casa, onde vivia com um dos filhos (portador de uma deficiência mental ligeira). É uma pessoa autónoma, que cuida de si, que se perfuma, que lê muito e se sente só, uma vez que não tem ali ninguém que esteja na sua condição e possa partilhar de uns bons momentos com ele. Adora conversar.

O Sr. Jacinto está muito doente e em breve a sua condição vai deteriorar-se até ficar tão incapacitado como os outros doentes. Mas esse é um tema sobre o qual, por agora, não lhe interessa falar. Não lhe interessa, não se fala! A maneira como falo sobre as outras pessoas, dá-lhe a entender que tem espaço e uma ouvinte disponível para ele, sempre. Quando for altura de expressar os seus medos, fá-lo-á. Assim o espero.

O Sr. Jacinto é um homem de negócios. Ainda é. Gere a liquidação do seu negócio através do telemóvel. Ele sabe que o está a liquidar por não ter mais tempo de vida para o continuar a gerir. Mas prefere fazê-lo com o ar distinto com que sempre comprou e vendeu. Tudo deve ser feito com elegância. Ele é uma pessoa com uma personalidade elegante, um comportamento distinto, um discurso simpático.

Contou-me a sua vida. Nasceu perto da Guarda, veio muito novo para Lisboa e também novo foi para a Guiné. De lá guarda muitos anos de boas recordações. Que ele me conta com todos os pormenores, descrevendo os diálogos, inclusive em crioulo.

Disse-me que gostava muito de ler e aí encontrámos uma confortável plataforma de conversa. Emprestei-lhe dois livros: um deles sobre África. Os seus olhos até brilharam ao ver que parte da acção era passada na sua Guiné.

Prometi que lhe telefonava durante a semana para saber como ele estava e conversar um pouco. Tento que o tempo, que é quase todo passado sozinho, seja um pouco encurtado com estes telefonemas.

Atendeu o telemóvel com o tom de quem está no salão de chá à espera de uma visita. Acho que ele valoriza muito o cumprimento das promessas, e ficou satisfeito por eu ter cumprido a minha. Contou-me que já ia a meio do livro e não só conhecia aqueles lugares lá descritos, como até conhecia muitas das pessoas aí referidas. Estava tão contente!

Temo o dia em que o vou encontrar de pijama. Para ele será o sinal de que a sua queda começou. Prevejo que, nessa altura, se torne mais difícil dialogar com ele. Receio que se feche muito, pois a degradação física é uma coisa que lhe é muito dolorosa. Só espero que a confiança e a amizade, que entretanto iremos construindo, seja suficiente para ele sentir que pode abrir o coração e que continua a ser um gentleman, mesmo que tenha tubos no nariz ou se desloque de cadeira de rodas.

quarta-feira, março 26, 2008

Histórias da minha vida... (2)

A Sra. Dona Lurdes

A D. Lurdes estava muito excitada no primeiro dia em que a vi. O sobrinho ia buscá-la para passar o fim-de-semana em casa. Estava muito bem vestida, penteada e levemente pintada. Era difícil manter-se quieta. Mas como também não era fácil movimentar-se, tudo aquilo gerava uma grande agitação no quarto.

Lá consegui que ficasse um pouco tranquila e pudéssemos conversar antes da sua saída. Tentei apelar à sua memória passada, já que a memória actual anda muito fugidia, e pedi-lhe para me contar um pouco da sua vida, o seu casamento, essas coisas.

Disse que tinha 3 filhos: uma rapariga com 45 anos, e dois rapazes gémeos, um com 42 e outro com 43... Hum... Gémeos... Não se conseguia lembrar do dia do casamento, mas assegura que tem marido. Não tem ideia de quantos sobrinhos tem, nem dos nomes.

Afinal quem a veio buscar para ir passar o fim-de-semana a casa foram os filhos. Os tais gémeos... ou não!

O mundo da D. Lurdes perde-se numa bruma sem memória. No rosto, tem as marcas de uma vida que deve ter sido desafogada e vê-se que está habituada a dizer as coisas só uma vez e ser obedecida. Nem a falta de memória, nem o facto de usar fralda alteram isso. Fico a olhar para ela cheia de ternura e a sorrir ao vê-la “refilar” por lhe terem cortado as unhas sem ser como ela gosta.

Na segunda visita que lhe fiz, já olhou para mim de forma mais amistosa, embora dando a entender que não é fácil conquistar a sua confiança. Levei-lhe uma planta para ela cuidar, uma vez que ainda se podia levantar. Julgava eu. Estes doentes perdem capacidades muito rapidamente e a D. Lurdes afinal já não se levantava sozinha. No entanto, aceitou a planta e a responsabilidade de tomar conta dela. No fim da visita, quando reforcei isso, e embora tenha demorado muito a concluir a frase, disse: Se trouxe a planta para eu tomar conta, então é para eu tomar conta! Dei uma sonora gargalhada e não pude evitar dar-lhe um beijo na testa... Grande mulher! É assim mesmo! Que é isso de duvidarem das suas competências?

O seu estado tem vindo a agravar-se. Cada vez se movimenta menos, a sua comunicação oral perde-se na procura das palavras, e no labirinto da memória não as consegue encontrar. Se lhe pergunto como se sente, responde: Eu não sei, eu não sei, eu não sei, eu não sei, eu não sei... E olha para mim como quem implora que lhe dissipem aquele nevoeiro das ideias que a faz repetir vezes sem conta o pouco que consegue articular.

No último dia em que a fui visitar, estava pior. No entanto, pela primeira vez, a sua alma procurou a minha. A boca não encontrou o discurso negado pela memória, mas os seus olhos procuraram os meus e encontraram-nos. O seu olhar foi profundamente lúcido e as suas mãos, que sempre aceitaram as minhas carícias sem as retribuir, pegaram nas minhas e afagaram-nas intensamente, demoradamente, observando-as até ao mais pequeno pormenor.

E assim, com as nossas mãos entrelaçadas e olhos nos olhos, sem disfarces e sem barreiras, disse-me clara e nitidamente: Eu quero partir. Beijei-a repetidamente e respondi-lhe: Pode ir Querida, quando quiser. Não se preocupe.

terça-feira, março 25, 2008

A I D A !


Hoje o dia é dela! Muitos, muitos parabéns. Passa um dia muito bom e daqui a 100 anos, voltamos a falar. Até lá, muita saúde!

quinta-feira, março 20, 2008

Agora a sério...


Anedotas à parte (e também não queremos baralhar as criancinhas, coitadinhas!): uma excelente Páscoa. Que toda a energia que se vive e sente no mundo, nesta altura, seja canalizada para a Paz e para a Harmonia. E já agora, uma vez que a energia é muita e chega para todos, que nos traga muita....... SAÚDE!


terça-feira, março 18, 2008

Boa Páscoa

- Pai, o que é a Páscoa?
- Ora, a Páscoa é.... é uma festa religiosa!
- Igual ao Natal?
- É parecido. Só que no Natal comemora-se o nascimento de Jesus, e na Páscoa, se não me engano, comemora-se a sua resurreição.
- Ressurreição?
- Sim, ressurreição. Oh Maria, anda cá!
- Sim?
- Explica a esta criança o que é a ressurreição para eu poder ler o meu jornal descansado.
- Bom, meu filho, ressurreição é tornar a viver após ter morrido. Foi o que aconteceu com Jesus, três dias depois de ter sido crucificado. Ele ressuscitou. E subiu aos céus ! Entendido?
- Mais ou menos... Mãe, Jesus era um coelho?
- Que é isso menino? Tu não digas uma coisa destas! Coelho! Jesus Cristo é o Pai do Céu! Nem parece que foste baptizado! Jorge, o nosso filho não pode crescer assim, sem ir à missa pelo menos aos domingos. Até parece que não lhe demos uma educação cristã! Já pensaste se ele diz uma asneira destas na escola? Deus me perdoe! Amanhã vou matricular esta criança na catequese!
- Oh Mãe, mas o Pai do Céu não é Deus?
- É, filho, Jesus e Deus são a mesma coisa. Vais estudar isso na catequese. É a Trindade: Deus é o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
- O Espírito Santo também é Deus?
- É sim.
- E Fátima?
- Oh sacrilégio!!!
- É por isso que na Trindade fica o Espírito Santo?
- Não, não ! Não é o Banco Espírito Santo que fica na Trindade, meu filho. É o Espírito Santo de Deus. É uma coisa muito complicada, nem a mãe entende muito bem, para falar a verdade nem ninguém, nem quem inventou esta asneira a compreende. Mas se perguntares à catequista ela explica-te muito bem!
- Bom, se Jesus não é um coelho, quem é o coelho da Páscoa?
- (gritando) Eu sei lá quem é o coelho!!! (controlando os nervos e mais calma) É uma tradição, meu filho. É igual ao Pai Natal, só que em vez de presentes, traz ovinhos.
- O coelho põe ovos?!
- Chega!!! Deixa-me ir fazer o almoço que eu não aguento mais!
- Pai, não era melhor que fosse galinha da Páscoa?
- Era, era melhor, ou então peru...
- Oh pai, Jesus nasceu no dia 25 de Dezembro, não é? E em que dia é que ele morreu?
- Isso eu sei: na sexta-feira santa!
- Mas que dia e mês?
- ??????? (tentando controlar os nervos) Sabes que eu nunca pensei nisso? Eu só aprendi que ele morreu na sexta-feira santa e ressuscitou três dias depois, no sábado de aleluia.
- Um dia depois, portanto!
- (gritando) Não, filho! Três dias!
- Então morreu na quarta-feira.
- Não! Morreu na sexta-feira santa. Ou terá sido na quarta-feira de cinzas? Ah, miúdo, tu já me confundiste com isto tudo! Morreu na sexta-feira e ressuscitou no sábado, três dias depois!
- Como!?!?
- Olha, pergunta à professora da catequese!
- Pai, então por que é que amarraram bonecos de pano na rua?
- É que hoje é sábado de aleluia, filho, a aldeia vai fingir que vai bater em Judas. Judas foi o apóstolo que traiu Jesus.
- O Judas traiu Jesus no sábado?
- Claro que não! Se ele morreu na sexta!!!
- Então por que é que eles não lhe batem no dia certo?
- Boa pergunta...
- Pai, qual era o apelido de Jesus?
- Cristo. Jesus Cristo.
- Só?
- Que eu saiba sim, porquê?
- Não sei... Tenho um palpite que o nome dele tinha Coelho no apelido. Só assim esta coisa do coelho da Páscoa faz sentido, não achas, pai?
- Coitada!
- Coitada de quem?
- Da tua professora da catequese.!!!

domingo, março 16, 2008

Amigas do Peito e do Coração

Adoro-vos!

video

sexta-feira, março 14, 2008

Histórias da minha vida

Estamos em 2006, mas esta história teve o seu início muito antes.

Há muitos anos que sonhava em acompanhar doentes terminais. Era muito claro que isso eu tinha mesmo que fazer, mais cedo ou mais tarde. Claro que toda a minha vida (família, trabalho, etc.) me dizia que ainda não podia dedicar-me a isso. Quem sabe, talvez um dia...

Sempre que procurava alguma associação que prestasse esse tipo de cuidados em Portugal, não encontrava.O tempo foi passando e como ele não nos pertence, não o controlamos, um dia, a vida resolveu apressar-me e foi-me detectado um cancro na mama. Quando essa situação ficou resolvida, também foi muito nítido que o que adiamos, à espera das condições ideais, pode nunca acontecer. Há que fazer o que é importante. Não esperar.

Já de regresso ao trabalho após a doença, entrei por acaso (?) numa livraria e os meus olhos saltaram para um livro. Comprei de imediato, embora nunca tivesse ouvido falar da autora ou do livro. Fiz uma pesquisa na Internet para saber quem ela era e o que descobri foi afinal aquilo que sempre tinha procurado e não tinha encontrado, porque eu não estava ainda disponível!Tudo se resolveu rapidamente: a formação e o início de uma aventura de Vida... a tentar lidar com a Morte.

Talvez estas palavras possam vir do tal sítio, da tal Fonte de onde brota a água que nos mata a sede. E assim conseguir contar-vos o essencial.Tentei ver o que sinto quando estou perante alguém chegado e que está a partir. Nos últimos tempos, isso tem acontecido bastante... E descobri que o principal é que penso que a pessoa está ali indefesa, sem recursos para fazer face ao sofrimento, à degradação. E se ela não consegue lidar com isso, então tenho que ser eu a conseguir.

Esse é o meu erro: pensar que cada um de nós recebe mais do que aquilo que pode suportar. Todos temos recursos suficientes para lidar com o que nos acontece. Um grande amigo meu, já falecido, dizia: se te está a acontecer é porque tens ombros para aguentar. E ele dizia isto com muito amor, e com a sabedoria dos anos que tinha a mais do que eu. Também ele teve recursos para lidar com a sua agonia e com a sua morte, e lidou bem.

Muitas vezes a nossa ânsia de viver em vez do outro, impede o outro de tentar viver. É isso que gera a angústia da impotência. O momento da morte e os que a antecedem são património do próprio. O que podemos fazer é estar presente, acompanhá-lo nessa hora (e só se ele quiser), proporcionar o conforto e a qualidade de vida possíveis.

E olhar.

Testemunhar um momento sagrado.

Um momento que é Divino.


A minha Princesa

A minha Princesa foi o meu primeiro "caso de sucesso". E o que quero eu dizer com isto de "caso de sucesso"? Foi a primeira pessoa que aceitou o meu contacto. Foi amigável, solícita e demonstrou-me que a minha companhia lhe agradava. E como eu precisava disso! O primeiro contacto com doentes terminais é muito difícil. Senti-me uma intrusa a perturbar o descanso de quem já o tem pouco por definição.

Mas a minha Princesa disse que gostava de conversar comigo, que isso a fazia sentir bem. Aceitou a minha massagem e agradeceu. Conversámos sobre a sua vida em África (ela nasceu no Lobito) e como tinha sido duro vir para Portugal, após a independência. Recomeçar tudo do zero. Nada de novo... Muitos Portugueses "retornados" poderiam contar uma história semelhante.

A minha Princesa também disse que não tinha medo de morrer e que já tinha feito tudo o que lhe era importante. Iria com tranquilidade e com o sentimento de dever cumprido. Mas parece-me que ela me estava a enganar... Agora que está muito mal, agarra-se ao que lhe resta da vida e não quer partir. Prefere (penso que seja isso!) sofrer porque acha que os familiares ainda precisam dela.

Gosta de estar sempre bonita e usa uma fita colorida nos seus cabelos encarapinhados. Pois, não vos tinha dito, a minha Princesa é mulata. Dona de uma grande beleza, sem rugas aos 74 anos, vaidosa e altiva. Claro! Como as Princesas. E pequenina, muito pequenina. Como as Princesas.

Agora já não fala comigo. Não consegue. Falo eu com ela.

Só queria que ela resolvesse tudo o que precisa resolver e ficasse em Paz. Mas isto sou eu a falar, porque ela, altiva como é, determinará tudo até ao fim. Para ela vai o meu primeiro agradecimento: Obrigada, Princesa Luana! Até sempre.

P.S. Escrevi este texto no dia 21. A Princesa iniciou uma nova viagem no dia 24. Despediu-se de todos os familiares (era muito acarinhada por todos) e partiu serenamente.
Grandiosa.
Como só as Princesas!


quarta-feira, março 12, 2008

A Flor da Buba


No domingo, andámos a plantar flores lá na nossa terra. Durante a manhã, plantámos várias. Faltou plantar uma das que tínhamos comprado. Ao almoço, falei com o Zé Maria que pediu para plantarmos uma flor para a Buba (e pela Buba). Era aquela que tinha ficado à espera no vaso! À tarde, foi para a nossa terra em homenagem a essa grande Mulher onde, tenho a certeza, se vai fazer uma bela e soberba flor...



Zé Maria, espero que goste desta nossa buba branca.


terça-feira, março 11, 2008

Soraia


Muitos parabéns, minha querida...!

domingo, março 09, 2008

Há mais uma estrelinha no céu...

Hoje, serena e tranquilamente, a Buba deixou de respirar. Sem sobressaltos. Iniciou uma nova aventura. Ao Zé Maria, ao João Pedro, à Sra. D. Ilda e à mana Guida damos um grande beijinho e o aconchego do nosso coração.

Um grande beijinho de agradecimento à Margarida e à Vera que a acompanharam e lhe deram o melhor que tinham.

Para nós, companheiras e Amigas do Peito e do Coração, fica o conforto de sabermos que temos mais alguém a olhar por nós.

Até breve, Querida Buba.

sexta-feira, março 07, 2008

Um excelente fim de semana...!

Ponham som na máquina, relaxem e usufruam de 9 minutos de Paz e Bem-estar. Depois, tentem que mais alguém, perto de vós, também se sinta bem e em paz com a Vida.




E pronto, está ganho o fim de semana...!

quinta-feira, março 06, 2008

IRS contra o cancro





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quarta-feira, março 05, 2008

Cuidados paliativos: faltam unidades e formação

Poucas unidades de internamento e equipas de apoio domiciliário, falta de profissionais qualificados e dificuldades de acesso dos utentes caracterizam os cuidados a doentes terminais em Portugal quatro anos após a publicação do Programa Nacional de Cuidados Paliativos.

Estimativas da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) apontam para que existam em Portugal cerca de 60 mil novos doentes terminais por ano que precisam de apoio, enquanto o número de profissionais a trabalhar nesta área não deverá ultrapassar os 120.

«A resposta em termos de cuidados paliativos é manifestamente insuficiente», disse à Agência Lusa Isabel Neto, presidente da APCP, que esta quarta-feira faz um ponto de situação dos cuidados paliativos em Portugal na comissão parlamentar de Saúde, onde vai a pedido do CDS-PP.

Os técnicos «não chegam para as encomendas» e só deverão conseguir acompanhar uma média de três mil doentes por ano. O reduzido número de profissionais de saúde qualificados nesta área, a falta de respostas ao nível do apoio domiciliário e as dificuldades dos doentes em aceder aos cuidados devido ao deficiente encaminhamento são os principais problemas identificados por Isabel Neto, também responsável da Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz.
«Esta é uma área onde é preciso apressar o passo. São precisos planos estratégicos, dar formação aos médicos e criar vagas bem remuneradas para os profissionais poderem trabalhar», defendeu.

Especialidade médica

«A médio e longo prazo defendemos que sejam uma especialidade médica. Neste momento pode ser precoce, mas iremos discutir isso com a Ordem dos Médicos. Senão para especialidade médica, pelo menos para que seja uma área de diferenciação», disse.
A mesma aposta na formação defende Alice Cardoso, responsável pelo grupo de trabalho dos Cuidados Paliativos da Unidade de Missão para os Cuidados Continuados de Saúde, do Ministério da Saúde, que admite que em Portugal a taxa de cobertura deste tipo de cuidados «é pouco superior a zero».

70 camas

De acordo com Alice Cardoso, até final do mês estavam em funcionamento oito unidades de cuidados paliativos, uma das quais privada, sendo que apenas cinco destas funcionam na Rede de Cuidados Continuados Integrados, o que representa uma capacidade de internamento de 70 camas em todo o país.

Acordos com hospitais

A responsável, que visitou todas das Administrações Regionais de Saúde para estimular a instalação de unidades, afirma ter o compromisso de «meia dúzia de hospitais» para a criação de espaços de internamento ou equipas intra-hospitalares.

As metas estabelecidas pela Rede Nacional de Cuidados Continuados apontam para que em 2008 existam em Portugal 326 camas de internamento para cuidados paliativos.

A responsável questiona ainda a falta de apoio domiciliário e defende a comparticipação total dos medicamentos opiáceos como a morfina. Relativamente aos medicamentos, Alice Cardoso considera que a comparticipação a 50 por cento é «injusta» relativamente a doentes crónicos que têm medicamentos grátis.
«Não é justo que um doente com SIDA tenha direito a antiretrovirais grátis e tenha que pagar os opiáceos para aliviar as dores», disse Alice Cardoso.

PortugalDiário, 05.03.2008

terça-feira, março 04, 2008

Y E S ! ! ! !

UFFF...! Está tudo bem, Manuela. Pode ir descansada...

Sabem como sabe bem ouvir isto, não sabem???! Mais um ano, mais uns exames anuais que estão bem... Sou uma sortuda e agradeço por isso.

Depois, tomei um cafézinho com a Loulou. Bem, está giríssima a cachopa...! Com o cabelito já crescidinho, toda gaiteira.

Fiquem bem!


domingo, março 02, 2008

A nossa vida...

Era para fazer um post sobre o fim de semana e a agricultura. Mas um comentário, do Zé Maria sobre a sua Buba, pareceu-me mais importante e pensei em destacá-lo num post independente para todos lerem... Diz ele:

"Falámos pouco, mas "conversámos" muito. Foi um forrobodó.
Ela acabou por adormecer ao contrário: com a cabeça no lugar dos pés, que ficaram para a cabeceira.
Depois adormeceu, serena.
Com aquela respiração de mar ondeado.
De quando em quando, gemia. Mas não era de dor.
Eram daqueles "espirros" que a alma tem de dar para libertar "demónios", perder medos e ficar menos angustiada.
Cada vez gosto mais dela."