É só mais um bocadinho!

quinta-feira, janeiro 25, 2007

De volta...

O É só mais um Bocadinho! está de volta com a cara lavada!
Espero que gostem…
Há uns tempos que tenho aqui um texto do Ru2x (blog
Sidadania) que conta o princípio da sua história como portador do HIV. Vou publicá-lo agora por achar que é uma boa maneira de inaugurar o novo look do Bocadinho.

“Neste texto vou narrar como me foi dada a noticia, de que estava infectado com o HIV. A maneira como a mesma foi dada, foi de tal modo cruel, e dita de uma forma nunca por mim esperada, de um médico para o qual palavras como humanidade e compaixão não devem existir no seu vocabulário. Ele nesse momento não foi um médico, mas mais um executor e ao mesmo tempo um carrasco. Corria o ano de 1997 e eu tinha sido internado, no hospital para se descobrir a causa de umas febres que teimavam em não desaparecer. Depois de uma semana de internamento a médica que me seguia, perguntou-me se eu me importava que fosse feito o teste ao HIV ao que eu acedi. Tinha tido uma aventura de verão, mas estava tranquilo, pois não era uma prostituta e era alguém que como eu, queria enfim divertir-se durante as férias. Nessa altura havia poucas campanhas de informação e a SIDA era para mim algo desconhecido embora soubesse que existisse. Continuei internado mais alguns dias e fazendo testes alguns deles muito dolorosos como por exemplo tirarem uma amostra da medula. Com o passar dos dias comecei a ficar preocupado, e como tinha informação que o vírus podia estar vários anos sem se revelar comecei a pensar no passado em que muitas vezes tive relações sexuais com desconhecidas. Passada uma semana mais ou menos a médica que me acompanhava disse-me que eu ia ter alta no dia a seguir. Perguntei-lhe sobre o teste ao HIV mas disse-me que ainda nada sabia. No dia da alta, por qualquer motivo ela não estava e fui chamado ao gabinete do director do bloco. Encontrava-me de pé dentro do gabinete aguardando a chegada do médico. Os meus olhos passeavam-se pelos quadros que decoravam as paredes todos eles com motivos africanos que revelavam uma origem ou então passagem por Moçambique. Estava apreensivo e tentava que a minha mente fugisse do motivo real pelo qual me encontrava naquele gabinete. Não sei quanto tempo lá estive, tal era a minha ansiedade mas esse tempo pareceu-me uma eternidade. Subitamente entrou na sala o médico e perguntou-me o que estava lá a fazer sem sequer me cumprimentar. Disse-lhe ao que vinha e ele com uma voz gélida simplesmente disse-me: - Então a sua médica não lhe disse? Ao que respondi negativamente - O senhor está infectado. É homossexual? Disse-lhe que não - Teve relações com prostitutas? Eu referi que no passado sim, mas que no presente não - Isto é recente, portanto deveria ter tido relações há pouco tempo. A notícia estava dada e eu sentia-me terrivelmente mal e comecei a ficar pálido, mal me aguentando em pé. Entretanto o diálogo que era quase um monólogo em que eu respondia com curtas frases, continuou. Perguntou-me se eu era casado e se ia dizer à minha mulher que estava infectado ao que eu respondi afirmativamente, pois não iria esconder algo tão grave, além de estar preocupado com a possibilidade de ter infectado a minha mulher, ao que ele retorquiu: - Sabe é que eu tenho um doente, ou melhor tinha pois ele já morreu, que decidiu não dizer à mulher. Estas palavras, para alguém que acaba de saber que está infectado com o vírus da SIDA, e que não sabe absolutamente nada sobre a doença, foram realmente a machadada final. Ele tinha-me acabado de dizer indirectamente que a doença me iria matar também. Acho que nesta altura ele apercebeu-se de como eu me sentia e disse-me para me ir deitar na minha cama e que depois a enfermeira ia-me levar os papéis da alta, mas que teria de voltar ao hospital pois ainda faltavam os testes de carga viral. Voltei para a cama e não me lembro de ver ou falar com alguém. Estava tudo acabado e eu iria morrer em breve. Não sei o que pensava, nem consigo descrever como me sentia nessa altura. Lembro-me de estar preocupadíssimo com a possibilidade de ter infectado a minha mulher e preocupava-me imenso ter ainda dois filhos menores, os quais não poderia ajudar na sua formação e preparação para a vida pois iria morrer em breve. Sabia que naquele dia iria para casa, e iria dar a noticia à esposa e aos filhos. Queria viver, queria que a minha mulher não estivesse infectada e queria ver os meus filhos criados. Este texto relata apenas a “Noticia da infecção”, de seguida irei escrever outros textos sobre os dias que se seguiram e que também foram angustiantes. Passados dez anos este episódio continua bem vivo na minha memória especialmente as palavras “ Tenho um doente ou melhor tive pois já morreu...”.”

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Vamos para obras...

O É só mais um Bocadinho! vai entrar em obras. Vamos fazer a renovação da fachada, melhorar um ou outro aspecto e migrar para a nova versão (já deu para perceber que é uma manobra perigosa...).
Voltamos em breve!
Enquanto isso e porque a vida não pára (e a investigação também não...), fica aqui um artigo retirado do PortugalDiário on-line, de hoje:
"Cientistas britânicos e alemães estão a investigar separadamente uma nova arma contra o cancro baseada no recurso a moléculas de ácido ribonucleico (ARN), noticia a agência Lusa, citando o diário inglês The Independent.
O objectivo das duas equipas, uma da Universidade de Oxford (Reino Unido) e outra do hospital universitário de Tubingen (Alemanha), é atacar os genes humanos que permitem que os tumores cresçam de forma imparável no organismo.
Os investigadores consideram o cancro uma doença genética devido ao papel dos genes na proliferação descontrolada da célula cancerosa, que está na origem do tumor.
A abordagem radical das duas equipas consiste em utilizar moléculas de ARN, substância semelhante ao ADN dos genes, para «silenciar» ou desactivar determinados genes chave relacionados com o crescimento dos tumores.
Uma equipa da Universidade de Oxford demonstrou num estudo de laboratório, a publicar na revista Nature, que é possível utilizar grandes moléculas de ARN para desactivar um gene responsável de uma enzima, a DHFR, que contribui para a rápida proliferação das células cancerosas.
Segundo Alexandre Akoulitchev, um dos investigadores de Oxford que participaram no estudo, há um consenso crescente entre os peritos em cancro de que as moléculas de ARN oferecem possibilidades inéditas para combater o cancro.
«Ao inibir-se o gene da DHFR, poderá prevenir-se o crescimento de células neoplásicas, células normais que degeneram em cancerosas, como as do cancro da próstata», explicou Akoulitchev.
A equipa de Tubingen usou moléculas de ARN mais pequenas num estudo com ratinhos para desactivar outro gene que desempenha um papel importante no crescimento rápido dos tumores cerebrais.
Outra abordagem é adoptada pelo professor Michael Weller, director de neurologia geral do hospital universitário de Tubingen, que utiliza moléculas mais pequenas de NRA para desactivar um gene que impede que os tumores cerebrais sejam atacados pelo sistema imunológico do organismo."

terça-feira, janeiro 09, 2007

Grande Encontro Nacional !!!

Gentes que passam por aqui, que têm os vossos blogs e que partilham experiências, estão convidada(o)s para um grande encontro nacional que se vai traduzir num almoço de convívio.

Nesta fase, estou só a recolher vontades e mais para a frente darei os pormenores. Em princípio, a coisa vai dar-se num domingo, num restaurante da capital, aí por meados de Fevereiro. Dá tempo para pensarem, organizarem tudo e fazermos uma farra das grandes.

Vamos comemorar os tratamentos que acabaram, os que ainda continuam e estão a dar efeito, os que vão começar e vão ser o passo fundamental para a cura, quem ficou doente agora e ainda está a “abanar” com a notícia e quem já tem uns tempos de diagnóstico e vai lidando com a incerteza do dia-a-dia. Enfim, vamos comemorar tudo e, principalmente, o facto de estarmos cá, vivinhos e a mexer.

Por favor, usem o mail para me fazer chegar as vossas ideias. Não utilizem o blog para as combinações: é um encontro nacional, mas restrito!

Nesta fase, preciso de constituir uma base de dados com os vossos endereços de correio electrónico, ok? Divulguem isto aos vossos amigos chegados, àqueles que têm estado ao vosso lado nesta situação e que podem ter interesse em participar, mas só a esses, está bem?

‘Bora para a farra?!

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Conhece os factos. Combate o medo

Neste link ( http://www.getbcfacts.com/home/home.asp ) poderão encontrar informação (em inglês...) muito útil, pertinente e personalizada sobre o cancro da mama.

Vejam e divulguem!