É só mais um bocadinho!

terça-feira, outubro 31, 2006

Uma experiência na 1ª pessoa ! (2)

A nossa Alda lá continua a sua batalha. Tal como vos disse, ela passou uns dias difíceis após o segundo tratamento de quimioterapia. Aqui vai o prometido testemunho. O próximo tratamento será a 3 de Novembro e nós estamos aqui a torcer para que tudo corra bem!
_________________________________
"Dia 13 de Outubro sexta-feira, com algumas dúvidas lá fui ao hospital, saber se podia fazer o tratamento, porque andava há uns dias com dores de garganta, e já tinha ido às urgências, mas como não tinha febre acabei por fazer o tratamento.

Durante o resto do dia, andei mais ou menos bem, no sábado ao fim do dia piorei, passei mal, a garganta inflamou muito, doía tanto que não consegui dormir. No Domingo, de manhã fui novamente às urgências, o médico receitou-me um anti-inflamatório, mas não resolveu nada, a cada dia a piorava não comia, não dormia, já nem conseguia beber líquidos, na terça-feira de manhã já não conseguia estar de pé, não conseguia falar, fui ao médico assistente de oncologia, que depois de me consultar, acompanhou-me ao médico de otorrino que me disse logo, tenho que lhe fazer uma grande maldade, tem um grande abcesso, e vou fazer-lhe uma punção, eu quase que não conseguia abrir a boca, mas fui picada quatro vezes, foi muito doloroso, saiu muito, muito pus.
Fiquei internada oito dias, quatro dos quais numa sala de isolamento, para estar mais protegida, porque o meu sistema imunitário, está mais debilitado devido à quimioterapia, três dias depois, fui novamente picada por mais três vezes, para sair o resto do pus. Finalmente fui para a enfermaria da cirurgia, onde eu faço voluntariado, e aí quase já me senti em casa, foram ao todo onze dias muito difíceis.

O meu corpo durante estes dias, não era o meu corpo, não tive controle sobre ele, não me obedecia, as pernas não tinham força, toda eu tremia, era como um bebé quando dá os primeiros passos, com receio de cair.

Continuo a fazer medicação até ao próximo tratamento que está marcado para o próximo dia 3 de Novembro.

Esta situação por que passei, pode ser ou não uma das consequências dos efeitos da quimioterapia, mas estive perto de fazer uma septicemia, posso dizer que tive muita sorte em conseguir ultrapassar esta fase. O 1º tratamento passou-se foram só dois dias menos bons e um dia muito difícil depois disso já fazia a minha vida normal.

O 2º tratamento já passou e o 3º aguardo-o com tranquilidade, esperança e com a sensação que vou conseguir vencer mais uma batalha. "

domingo, outubro 22, 2006

Quimioterapia - Guia do Paciente em Tratamento

QUIMIOTERAPIA - Guia do Paciente em Tratamento
______________
1. O que é quimioterapia?

Em medicina, chama-se de quimioterapia o tratamento com a utilização de medicamentos cuja função é atuar nas células dos tumores, visando destruí-las, impedindo o crescimento e aliviando os sintomas causados pelo desenvolvimento do tumor. A quimioterapia pode ser indicada antes ou após uma cirurgia, ou ainda isoladamente, sem que haja indicação cirúrgica. Pode, ainda, ser feita em conjunto com outro tipo de tratamento, que é a radioterapia. A indicação do tipo de tratamento a ser feito depende de vários fatores, como o tipo de tumor, localização e estágio da doença. A quimioterapia interfere nas células anormais do câncer, impedindo o seu crescimento e multiplicação desordenados.
Como é feito o tratamento?
Na maioria das vezes, não é preciso que o paciente fique internado, para fazer a quimioterapia. Geralmente, ela é feita numa sala especial, dentro do próprio ambulatório onde são feitas as consultas com os médicos. Existem várias maneiras de se administrar a quimioterapia: por via oral, através de comprimidos; através da veia, por meio de soro; ou através de injeções intramusculares, mais raramente. Durante a aplicação não são observados sintomas, porém é importante que quando receba o soro, o paciente mantenha o braço bem posicionado, para evitar vazamentos. Caso o paciente perceba alguma alteração no momento da aplicação, deve comunicar imediatamente a equipe de enfermagem.

2. Tempo de duração do tratamento

O tratamento quimioterápico é planejado, entre outros aspectos, de acordo com o tipo de tumor e o estágio da doença. A partir destes dados são definidos os tipos de drogas e as quantidades a serem utilizadas As aplicações podem ser diárias, semanais, mensais, obedecendo aos intervalos programados pelo médico. Durante o período de tratamento é feito um acompanhamento das condições do organismo através de exames de sangue. A maneira de o organismo reagir às drogas utilizadas é um dos fatores importantes na determinação do intervalo e da duração do tratamento. A quimioterapia é feita sempre de acordo com uma programação, que deve ser discutida com o médico, quando o tratamento será iniciado. A duração desse tratamento pode depender, entre outras coisas, da resposta do tumor às drogas utilizadas.

3. Reações desagradáveis da quimioterapia

As drogas quimioterápicas têm a vantagem de se distribuir por todos os locais do corpo, atingindo, desta forma, todas as células que estão com problemas. No entanto, células normais também são atingidas, podendo provocar alguns sintomas, que são chamados de efeitos colaterais. Estes efeitos não são obrigatoriamente apresentados por todas as pessoas que fazem quimioterapia, uma vez que dependem tanto do tipo de drogas utilizadas quanto da forma que o organismo responde ao tratamento. Assim, alguns pacientes podem apresentar efeitos colaterais mais severos enquanto outros podem mesmo não apresentar sintoma algum. De uma forma ou de outra, o médico deve ser informado sobre os sintomas apresentados e seu tempo de duração. De um modo geral, a maioria desses sintomas desaparece à medida que o paciente vai se distanciando do final das últimas sessões. Dentre as alterações mais comumente apresentadas, destacamos:
Náuseas e Vômitos
As drogas quimioterápicas geralmente causam irritação nas paredes do estômago e intestino provocando enjôos e vômitos. Esses sintomas ocorrem principalmente no dia da infusão, podendo-se prolongar por até 4 dias. A intensidade varia de acordo com o organismo do paciente e com o tipo de quimioterapia utilizada. Algumas mudanças nos hábitos alimentares auxiliam o paciente no combate desses sintomas, tais como:
preferir alimentos com rápida digestão
não encher o estômago de uma só vez, preferindo fazer várias alimentações ao dia, em pequenas quantidades
evitar alimentos gordurosos e frituras
comer devagar, mastigando bem os alimentos
preferir alimentos frios, ou em temperatura ambiente
evitar odores fortes
procurar não exercer atividades que exijam esforço físico
procurar vestir roupas leves
Feridas na boca
Alguns quimioterápicos podem provocar aparecimento de aftas, irritação nas gengivas, na garganta e até feridas na boca. Isso pode causar muita dor e ainda dificultar a alimentação. Algumas medidas podem ser seguidas, nestes casos:
manter a boca sempre limpa, escovando os dentes com maior freqüência
evitar ingerir alimentos duros, quentes, ácidos e condimentados
procurar usar cremes dentais mais suaves, fazendo bochechos quando necessário com produtos indicados pelo médico
ingerir maior quantidade de líquidos (água, chás e sucos)
Febre
Alguns dias após a quimioterapia, há uma diminuição temporária das defesas do organismo, que fica predisposto a contrair mais facilmente infecções por vírus, bactérias e fungos. A febre é um sinal de alerta para a existência de infecções no organismo. Nesta situação, o médico deve ser imediatamente avisado, para que possa iniciar o tratamento adequado. O risco de infecções mais graves, pelo fato de o paciente estar com a imunidade baixa é muito maior.
Diarréia
Algumas drogas quimioterápicas podem causar diarréia em maior ou menor intensidade, dependendo da reação do organismo. Se ela persistir por mais de 24 horas, o paciente deverá obter orientação médica. Nos casos menos intensos, algumas medidas podem ajudar:
procurar manter uma alimentação mais líquida (chás, água e sucos)
evitar tomar leite e derivados
procurar fazer pequenas refeições, evitando alimentos gordurosos e frituras
Queda de cabelo
Algumas drogas quimioterápicas atingem o crescimento e a multiplicação das células que dão origem ao cabelo, podendo provocar a queda de cabelos, de forma total ou parcial. Não se pode prever exatamente como e em que proporção os cabelos serão afetados, porém é importante lembrar que a queda é geralmente temporária; o processo de nascimento do cabelo se reinicia logo após o término da quimioterapia, e em alguns casos, ainda durante a quimioterapia.
Nesta fase, alguns pacientes preferem cortar os cabelos antes, como uma forma para se preparar para o processo da queda. Outros esperam que os cabelos comecem a cair, para então tomar a decisão de cortar e/ou usar um artifício como boné, lenço ou peruca.
Alterações da pele e unhas
Dependendo do tipo de quimioterapia, o paciente pode apresentar alterações na pele, como vermelhidão, coceira, descamação, ressecamento e manchas. As unhas também podem apresentar escurecimento e rachaduras. Alguns desses efeitos podem ser amenizados pelo próprio paciente, que deverá manter a pele limpa, fazer uso de hidratantes, evitando a exposição ao sol. O médico é ainda a pessoa mais apropriada para indicar os cuidados e medicamentos que podem ser utilizados. Geralmente as alterações desaparecem após algum tempo do tratamento.

4. Orientações práticas

Alimentação
Não há necessidade de grandes modificações na alimentação. No entanto, o paciente deve incluir nas refeições diárias frutas, verduras, cereais, carnes, para que possa obter todos os nutrientes de que o organismo precisa. É importante que o paciente esteja sempre bem alimentado, para ter melhores condições de reagir aos efeitos colaterais, ficando também menos predisposto a infecções.
Bebidas alcoólicas
Devem ser evitadas, tendo em vista que o álcool pode interagir com os medicamentos utilizados no tratamento, podendo reduzir os efeitos esperados, e aumentando efeitos colaterais.
Atividades físicas
Durante o período de tratamento não há contra-indicação à prática de exercícios físicos ou modalidades esportivas. Porém, o indivíduo pode ficar menos disposto. Por esta razão, o paciente deve estar atento para não forçar suas condições físicas.
Trabalho
A maioria dos pacientes pode e deve continuar trabalhando durante o tratamento. Não há indicação para que as atividades habituais sejam paralisadas, a menos que sejam bastante pesadas e exijam muita condição física. Na maioria das vezes o paciente precisa apenas ajustar o dias das sessões e os dias em que os efeitos colaterais estejam mais fortes, para que possa entrar em acordo e ser dispensado do trabalho.
Relações sexuais
A quimioterapia, para muitos pacientes, provoca tensões físicas e emocionais que podem estar ligadas não só aos efeitos colaterais, como também às mudanças no ritmo de vida, alimentação e trabalho, além de ansiedades em relação à saúde, à família. Todos esses aspectos juntos podem contribuir para que haja uma diminuição no interesse sexual. No entanto, é importante que o paciente saiba que a quimioterapia não o impede de manter relações sexuais normalmente.
Ciclo menstrual
As drogas utilizadas na quimioterapia podem reduzir temporariamente a produção de hormônios, provocando em algumas mulheres alteração do ciclo menstrual. A quantidade de sangramento pode ser alterada, e às vezes pode ocorrer interrupção completa da menstruação. Geralmente, após o término do tratamento, o ciclo menstrual vai voltando ao seu funcionamento normal.
Gravidez
Durante o período de quimioterapia a gravidez deve ser evitada, já que as drogas usadas podem causar riscos na formação do bebê. É importante pedir orientação ao médico sobre o melhor método de anticoncepção a ser usado durante o tratamento.
Uso de outros medicamentos
Alguns medicamentos, mesmo os homeopáticos e "naturais", podem interferir no tratamento quimioterápico. Por isso, o médico deve ser sempre consultado antes de o paciente fazer uso de qualquer medicamento.

5. Sintomas que merecem cuidados imediatos
Caso o paciente apresente algum sintoma novo que o incomode, ou ainda um dos sintomas relacionados abaixo, deve procurar orientação médica, o mais rápido possível.

  • febre (temperatura igual ou maior que 38 graus)
    falta de ar ou dificuldade respiratória
    dificuldade de controlar a urina
    dificuldade na visão (dupla ou borrada)
    dor de localização ou intensidade anormal
    sangramento de qualquer região, que persista por tempo mais prolongado

Retirado do site E-Cancer, informações para uma vida melhor, do Dr. André Sasse
http://andre.sasse.com/guiaqt.htm

quinta-feira, outubro 19, 2006

A nossa Alda !

A nossa Alda fez o segundo tratamento de quimioterapia na passada sexta-feira, tal como previsto. Tem passado uns dias difíceis, mas continua a dar umas boas gargalhadas. Um grande beijinho. Estamos à tua espera...

domingo, outubro 08, 2006

Celebrem comigo !

Celebrem comigo!

Faz hoje um ano que encontrei um nódulo na mama esquerda. Tal como escrevi num dos primeiros artigos deste blog, “No SPA da Carla. Sim. Foi no SPA da Carla que tudo começou. Dia 8 de Outubro de 2005, sábado. Preparei-me para a massagem que era a minha recompensa pela semana de trabalho, de horários, de noites curtas, de alguns projectos adiados. Saltei para a marquesa e senti uma impressão/dor no peito esquerdo (ainda não estava habituada a chamar-lhe mama…). Fui com os dedos precisamente ao sítio.”

Ontem, voltei ao SPA da Carla. Usufruí da sua massagem como agora sei usufruir de tudo o que a vida me dá. Consegui reviver aquele instante, e coloquei-me na mesma posição em que estava quando, há um ano, descobri o nódulo. Agora não há um nódulo, agora há uma cicatriz, agora há uma pele ainda queimada da radioterapia, mas não há nódulo. Há força e há confiança.

Às vezes, ainda sinto um murro no estômago quando o medo me lembra que uma recidiva é possível e até provável. E não adianta fingir que não há medo. Há. Mas a maior parte dos meus dias é vivida longe do medo. Cada vez passo mais tempo sem estar angustiada com o que pode acontecer, com o resultado dos próximos exames, ou com a possibilidade de isto não ser uma cura, mas só um intervalo.

Celebrem comigo! Passou um ano. Não sei se irão passar dois ou dez ou mais. Mais importante do que acumular dias é mesmo celebrá-los…



quarta-feira, outubro 04, 2006

Corrida Sempre Mulher !!!