É só mais um bocadinho!

quarta-feira, maio 31, 2006

Lágrimas !

Para escrever este artigo, foi preciso respirar fundo várias vezes pois relato o que de mais difícil vivi. Não estive só e isso foi muito importante. Melhor do que a minha memória, ficam aqui alguns extractos de emails trocados com uma grande amiga e que conseguem espelhar um pouco o que senti naqueles dias entre as duas cirurgias, depois de saber que o milagre em que acreditei se tinha desvanecido. Teria?

Dia 4 de Janeiro – alguns momentos antes de saber que a análise ao nódulo tinha a confirmação de um cancro

“… Nunca senti isto tão fortemente. Talvez por estar em casa, sem fazer nada e com imenso tempo para pensar. Sinto-me um pouco vazia, sem emoções comuns, como se as emoções normais e comuns de toda a gente, não significassem nada para mim. Já não sou deste mundo… Hihihi
Estranhos tempos estes, hum? Mas também tenho algumas coisas normais e comuns para resolver, tal como as pessoas normais. Tomar um bom banho! Deus, quanto queres para me deixares tomar um bom banho? E lavar o cabelo? Eu quero lavar o cabelo… Por favor… Esquecer a cicatriz, esquecer os pontos, tomar um banho… Vês? Coisas normais de pessoas normais!”


Talvez nem tivesse decorrido meia hora sobre estas preocupações, quando recebi a notícia de que seria operada novamente dentro de dois dias. Não consegui dizer muito mais.

“… Estou muito, muito triste. A análise já está pronta e sempre encontraram células cancerosas. Sou operada novamente depois de amanhã e tenho garantidos os tratamentos de radioterapia. Tal como inicialmente previsto. Meu Deus, estou tão fraca agora. Isto é tão difícil depois de tanta alegria…”

Dia 5 de Janeiro

“Olá Querida,

Estou a começar a olhar em frente e ver a Luz. Meu Deus, isto é tão difícil. Levei algum tempo a centrar-me e ver a mão de Deus nisto tudo. Estou a ver agora. Novamente. A sentir-me em paz e a acreditar que tudo acontece por uma razão e para o nosso Supremo Bem e Propósito.

Sinto-me novamente iluminada e livre. Não consigo estar desligada da minha fé. Simplesmente não consigo. Nem por um só dia. Agora posso sentir todo o amor que desce do Céu e muito simplesmente nos inspira. E, acredita, não consigo viver sem esta certeza. Isso não é vida, é mera sobrevivência. Eu quero uma vida real, cheia de milagres, cheia de alegria e esperança. Por um dia, esqueci isso. Deus, eu não estava a viver.

Por um dia, deixei de acreditar em milagres. Como é que consegui? Eu ainda estou a viver no meio de um milagre. E preciso aprender a verdadeira aceitação. Lembras-te quando te disse que agora é que era a sério? Esta situação toda foi muito fácil (nada de errado com as coisas fáceis…) e eu não trabalhei a aceitação. Pensei que estava a aceitar, mas não estava a fazê-lo verdadeiramente. Era só porque o que tinha para aceitar era glorioso, muito glorioso. Era fácil. Agora sim, estou a trabalhar a aceitação.

Eu tenho mesmo sorte por terem encontrado as células cancerosas. Era um núcleo pequeno, seria fácil não ter sido diagnosticado. E depois? Daqui a um ano, como é que eu estaria? Sem muitas alternativas. Agora, tenho que lidar com isto e ficarei bem.

Ontem, quando o meu médico me telefonou, antes que ele falasse, eu disse para mim (tal como um mês antes tinha dito antes de ouvir o resultado da biopsia): Pai, se for possível, afasta de mim esse cálice. Mas que seja feita a Tua vontade e não a minha. No entanto, depois de receber as notícias, não reagi assim. Senti-me mal, sem Luz, como se estivesse sozinha. Essa não era a vontade do Pai.

Querida, voltarei dentro de dias. Fica em Paz, acende uma vela por mim e outra pelo mundo… Beijinhos e reza por mim”


Dia 6 de Janeiro fui operada

Dia 9 de Janeiro


“Em casa, finalmente. Deus, como estou feliz por estar em casa…
Como estás tu Querida?
Estou bem, não muito bem, como deves imaginar, mas bem. Melhor do que no hospital, com certeza.
Esta noite (de domingo para segunda) foi horrível. Meu Deus, tive tantas dores, senti-me tão só que chorei toda a noite. Não dormi nada. Fiz, inadvertidamente, um gesto qualquer com o braço esquerdo que não era suposto fazer. Foi tão doloroso, mas como não estou habituada a ter restrições, passo a vida a esquecer-me. Que noite!
Mas estou melhor agora. Não consigo explicar a tristeza que senti.
Estou tão agradecida a todos os amigos que tenho por estarem presentes nesta hora. Tive saudades tuas e das nossas conversas.
Preciso descansar agora, mas queria enviar-te um enorme beijo e um abraço.”


Dia 13 de Janeiro

“Olá Querida,

Sim, amanhã encontramo-nos no Messenger…Não sei a que horas, porque quero que o Paulo me leve a ver o mar. Tenho saudades do mar…. Hihihi
Não estejas deprimida com a tua dieta. Pensa só como será passeares na praia de biquini no próximo verão. Uau…

E a resposta é sim, posso sentir o milagre. Durante algum tempo foi difícil de entender, mas agora sei que fui espiritualmente arrogante. Graças a Deus, tive uma segunda oportunidade para aprender.

Beijinhos.”

quarta-feira, maio 10, 2006

Quimioterapia

Temos uma pessoa a pedir informação sobre quimioterapia; vai iniciar os tratamentos. Vamos ajudar?
O termo quimioterapia engloba o tratamento com muitos fármacos diferentes, usados sozinhos (quimioterapia com um único agente), ou em associações de dois ou mais fármacos (terapêutica combinada). Normalmente administram-se vários ciclos de quimioterapia com intervalos de algumas semanas e portanto o período total de tratamento pode prolongar-se por vários meses. Alguns fármacos são ingeridas oralmente e outros são administrados por injecção intravenosa.
Os efeitos secundários mais frequentemente referenciados, que variam de gravidade conforme os fármacos usados, incluem: fadiga, náuseas, vómitos e perda de cabelo. Podem-se prescrever fármacos designados por antieméticos, para prevenir ou aliviar o enjoo durante o tratamento. O cabelo, que cai por causa da quimioterapia – embora nem todos os fármacos tenham esse efeito – normalmente volta a crescer dentro de poucos meses depois da conclusão do tratamento.
Os fármacos usados na quimioterapia podem originar toxicidade hematológica (do sangue), que por sua vez, pode causar uma diminuição na produção das células sanguíneas e também nas plaquetas, envolvidas no processo de coagulação. Esta toxicidade pode ter como resultado a fadiga (devido à falta de eritrócitos), diminuição da resistência às infecções (falta de leucócitos) e aumento da susceptibilidade à formação de hematomas/hemorragia (falta de plaquetas). Durante o período de tratamento fazem-se regularmente análises ao sangue para verificar se o número das células sanguíneas se reduziu. Se for necessário pode-se recorrer a transfusões ou tratamentos médicos para repor o número de eritrócitos. Também há medicamentos disponíveis para melhorar o número de leucócitos e, portanto, aumentar a resistência do doente às infecções. Por fim, podem-se administrar outros tratamentos para prevenir a infecção.

quarta-feira, maio 03, 2006

Vírus induz células cancerosas a devorarem-se

2006/05/03 09:30
Portugal Diário on-line

Investigadores do Texas criaram um vírus que ataca as células malignas, o que reduz o tamanho do tumor e prolonga a sobrevivência

Cientistas norte-americanos criaram um vírus que infecta as células de um tipo comum de cancro do cérebro nos ratinhos e as induz à autofagia, indica um estudo hoje divulgado pelo Instituto Nacional do Cancro.

Segundo investigadores do Centro Oncológico Anderson da Universidade do Texas, trata-se de um adenovírus modificado que ataca as células malignas e as leva a devorarem-se a si próprias, o que reduz o tamanho do tumor e prolonga a sobrevivência.
«Este vírus tem como alvo a telomerase, uma enzima que se encontra em 80 por cento dos tumores cerebrais», afirmou Seiji Kondo, professor auxiliar do Departamento de Neurocirurgia daquele centro oncológico.

«Uma vez que o vírus entra na célula, precisa da telomerase para se multiplicar. O tecido normal do cérebro não tem telomerase e, portanto, o vírus só se multiplica nas células cancerosas», explicou o investigador ao Journal of the National Cancer Institute. Segundo os cientistas, o adenovírus modificado poderá ser importante na luta contra outros tipos de cancro, como os do colo do útero e o da próstata que são «telomerase positivos».

Além de ter descoberto o potencial terapêutico do vírus, chamado «hTERT-Ad», a equipa científica também determinou o mecanismo pelo qual os adenovírus infectam e matam as células cancerosas, disse Kondo.

Nas experiências realizadas com o adenovírus em roedores, os investigadores determinaram uma redução dos tumores de 200 milímetros cúbicos para uma média de 39 milímetros. Por outro lado, os ratinhos tratados com três injecções de «hTERT-Ad» tiveram uma sobrevivência média de 53 dias, enquanto que os que receberam um vírus de controlo viveram em média apenas 29 dias.

Além disso, dois dos ratinhos tratados com o adenovírus modificado sobreviveram mais de 60 dias e não registaram tumores cerebrais detectáveis, refere o estudo.