É só mais um bocadinho!
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Segunda-feira, Março 13, 2006
A Prevenção e o Medo…
"Cerca de 20% das mulheres que recebem convites para realizar o rastreio gratuito ao cancro da mama recusa com medo do resultado. Esta é uma das conclusões do estudo "Diagnóstico Precoce do Cancro da Mama valorização e práticas de diagnóstico", feita pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Associação Laço (AL) e Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) . "Não pode haver receio porque seguramente haverá consequências maiores", avisa Jorge Soares, da SPS - lembrando que em Portugal, a cada ano, surgem 4500 casos novos. Além disto, a investigação avança que cerca de 40% das mulheres não receberam os convites por não estarem registadas correctamente nos seus centros de saúde.
O estudo, que utilizou duas amostras de população feminina - a das áreas metropolitanas (AM) e as que estão abrangidas pelo Programa Nacional de Rastreio (PNR) - revela que existe um grande nível de informação e conhecimento sobre a matéria. No entanto, regista-se ainda uma atitude passiva de esperar pela sugestão médica ou de considerar que o exame só deva ser feito caso existam alguns sintomas, o que pode ser fatal -uma atitude adoptada por 10% das inquiridas.
Assim, quase metade das mulheres residentes em AM e 40% das que habitam em concelhos abrangidos pelo PNR respondem que o médico nunca sugeriu o exame, enquanto 27,9 % das primeiras e 28% das segundas afirmam que não têm sintomas. "É uma ideia errada pensar que está tudo bem quando não se corre perigo", contrapõe Lynne Archibald, da AL. O próximo passo é aumentar o número de mulheres rastreadas. Este estudo enquadra-se nas iniciativas do mês do Cancro da Mama.” (Diário de Notícias, de 26.10.2005).
Porquê? Num país onde o sistema de saúde não é exemplar, o que levará uma mulher a rejeitar a hipótese de fazer, gratuitamente, um exame que lhe pode salvar a vida?
A palavra ‘cancro’ sempre foi assustadora para todos. A reacção imediata a este diagnóstico é: “acabei de ser condenada à morte”. Apesar da informação e dos grandes avanços terapêuticos obtidos nos últimos anos, a primeira reacção ainda é de desespero.
Todos temos algum familiar ou amigo que morreu com um cancro qualquer. A hipótese de isso também nos acontecer é aterradora. E a reacção é: não quero saber; prefiro não saber.
E por mais absurda que esta reacção nos pareça, quem pode dizer, com plena verdade, que não viveu este dilema de fazer ou não fazer uma mamografia ou um Papanicolau? Parece inconsciência? Não é. É medo.
E por todos termos medo é que é importante haver testemunhos de casos de sucesso, pois só esses exemplos podem ajudar a ultrapassar a barreira que nós próprios construímos. E o que fez com que esses casos fossem casos de sucesso? O tempo e o olhar em frente. Só ganhamos o tempo fazendo da prevenção uma questão de vida. Sem pestanejar. Mesmo que todos os fantasmas nos puxem a cabeça para a areia.
Nesta, como em todas as áreas da nossa vida, o medo é o grande inimigo.
Posso contar a situação que vive, neste momento, uma amiga minha. Ela tirou um nódulo benigno há uns anos. Há pouquíssimo tempo, passou por um susto novamente quando um outro nódulo, que se mantinha estável, inesperadamente começou a crescer e a assumir contornos muito irregulares. Quem passou por isto, deve conseguir imaginar a angústia que ela viveu. Felizmente, o resultado da biópsia foi simpático e o fibroadenoma foi retirado numa cirurgia simples.
Mas, ainda não tinha esquecido o episódio e já outro nódulo se apresenta ao serviço…
Qual é a dúvida dela neste momento? Não lhe apetece passar por tudo outra vez! Quer um bocadinho de sossego antes de voltar a lidar com a angústia e a incerteza. É inconsciente? Claro que não. É um bom exemplo de uma pessoa que cuida bem de si e faz tudo de acordo com as regras. No entanto, está cansada. E esse cansaço poderá ser-lhe fatal. Espero sinceramente que ganhe o que ela sabe ser o mais correcto, apesar da repetição da tortura.
O que eu quero mesmo frisar é que, excluindo os casos extremos de total incúria, entramos numa zona nebulosa de procura de equilíbrio entre a vida dita normal e a atenção não paranóica/vigilante da nossa saúde. Sabemos o que nos dita o bom senso, mas às vezes estamos tão cansados…
Por isso, daqui vos digo: Vá, Força, é só mais um bocadinho!
posted by Nela at 09:13
"Cerca de 20% das mulheres que recebem convites para realizar o rastreio gratuito ao cancro da mama recusa com medo do resultado. Esta é uma das conclusões do estudo "Diagnóstico Precoce do Cancro da Mama valorização e práticas de diagnóstico", feita pela Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), Associação Laço (AL) e Sociedade Portuguesa de Senologia (SPS) . "Não pode haver receio porque seguramente haverá consequências maiores", avisa Jorge Soares, da SPS - lembrando que em Portugal, a cada ano, surgem 4500 casos novos. Além disto, a investigação avança que cerca de 40% das mulheres não receberam os convites por não estarem registadas correctamente nos seus centros de saúde.O estudo, que utilizou duas amostras de população feminina - a das áreas metropolitanas (AM) e as que estão abrangidas pelo Programa Nacional de Rastreio (PNR) - revela que existe um grande nível de informação e conhecimento sobre a matéria. No entanto, regista-se ainda uma atitude passiva de esperar pela sugestão médica ou de considerar que o exame só deva ser feito caso existam alguns sintomas, o que pode ser fatal -uma atitude adoptada por 10% das inquiridas.
Assim, quase metade das mulheres residentes em AM e 40% das que habitam em concelhos abrangidos pelo PNR respondem que o médico nunca sugeriu o exame, enquanto 27,9 % das primeiras e 28% das segundas afirmam que não têm sintomas. "É uma ideia errada pensar que está tudo bem quando não se corre perigo", contrapõe Lynne Archibald, da AL. O próximo passo é aumentar o número de mulheres rastreadas. Este estudo enquadra-se nas iniciativas do mês do Cancro da Mama.” (Diário de Notícias, de 26.10.2005).
Porquê? Num país onde o sistema de saúde não é exemplar, o que levará uma mulher a rejeitar a hipótese de fazer, gratuitamente, um exame que lhe pode salvar a vida?
A palavra ‘cancro’ sempre foi assustadora para todos. A reacção imediata a este diagnóstico é: “acabei de ser condenada à morte”. Apesar da informação e dos grandes avanços terapêuticos obtidos nos últimos anos, a primeira reacção ainda é de desespero.
Todos temos algum familiar ou amigo que morreu com um cancro qualquer. A hipótese de isso também nos acontecer é aterradora. E a reacção é: não quero saber; prefiro não saber.
E por mais absurda que esta reacção nos pareça, quem pode dizer, com plena verdade, que não viveu este dilema de fazer ou não fazer uma mamografia ou um Papanicolau? Parece inconsciência? Não é. É medo.
E por todos termos medo é que é importante haver testemunhos de casos de sucesso, pois só esses exemplos podem ajudar a ultrapassar a barreira que nós próprios construímos. E o que fez com que esses casos fossem casos de sucesso? O tempo e o olhar em frente. Só ganhamos o tempo fazendo da prevenção uma questão de vida. Sem pestanejar. Mesmo que todos os fantasmas nos puxem a cabeça para a areia.
Nesta, como em todas as áreas da nossa vida, o medo é o grande inimigo.
Posso contar a situação que vive, neste momento, uma amiga minha. Ela tirou um nódulo benigno há uns anos. Há pouquíssimo tempo, passou por um susto novamente quando um outro nódulo, que se mantinha estável, inesperadamente começou a crescer e a assumir contornos muito irregulares. Quem passou por isto, deve conseguir imaginar a angústia que ela viveu. Felizmente, o resultado da biópsia foi simpático e o fibroadenoma foi retirado numa cirurgia simples.
Mas, ainda não tinha esquecido o episódio e já outro nódulo se apresenta ao serviço…
Qual é a dúvida dela neste momento? Não lhe apetece passar por tudo outra vez! Quer um bocadinho de sossego antes de voltar a lidar com a angústia e a incerteza. É inconsciente? Claro que não. É um bom exemplo de uma pessoa que cuida bem de si e faz tudo de acordo com as regras. No entanto, está cansada. E esse cansaço poderá ser-lhe fatal. Espero sinceramente que ganhe o que ela sabe ser o mais correcto, apesar da repetição da tortura.
O que eu quero mesmo frisar é que, excluindo os casos extremos de total incúria, entramos numa zona nebulosa de procura de equilíbrio entre a vida dita normal e a atenção não paranóica/vigilante da nossa saúde. Sabemos o que nos dita o bom senso, mas às vezes estamos tão cansados…
Por isso, daqui vos digo: Vá, Força, é só mais um bocadinho!

















2 Comments:
Só vos quero dizer que a minha amiga, referida no texto, já foi a uma consulta e está tudo bem...
Boa!
Wonderful news!
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